Kraw PenasAlexandre Guetter, meteorologista do Simepar: ‘‘Se você prevê o período chuvoso, pode saber o potencial de aumento de operação numa usina hidrelétrica’’A previsão de tempo e clima pode auxiliar a produção de energia? Para o pesquisador do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) Alexandre Guetter, sim. ‘‘Se você prevê o período chuvoso, pode saber o potencial de aumento de operação numa usina hidrelétrica’’, afirma. A novidade está em discussão no Encontro de Aplicações Meteorológicas no Setor Elétrico, em Curitiba, do qual participam cerca de 80 especialistas.
Guetter esclarece que não há uma metodologia clara para integração das novas tecnologias de previsão de tempo e clima ao setor elétrico. ‘‘Por enquanto, só estamos divulgando o que é possível fazer’’, ressalva. Um exemplo está no sistema de alerta de enchentes instalado em União da Vitória, ainda em fase experimental, capaz de prever chuvas com até cinco dias de antecedência e monitorar o nível das águas do Rio Iguaçu.
‘‘Ao mesmo tempo em que o Simepar faz o controle das enchentes, dá para estimar o aumento da produção de energia com o melhor uso da água’’, explica o pesquisador. Segundo Guetter, tal procedimento permitiria incrementar a eficiência das usinas hidrelétricas em até 5%. ‘‘Isso seria equivalente a algumas centenas de milhões de reais’’, afirma ele, com base na vazão do Rio Iguaçu, cujo potencial atinge 5 mil megawatts.
Na opinião dos especialistas, melhorar a eficiência do sistema para otimizar a capacidade atual parece ser a alternativa mais rápida para aumentar a produção de energia. ‘‘O consumo de energia é grande e cresce rápido, mais até que a construção de uma nova usina’’, compara Guetter. De acordo com ele, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está equipado para fornecer previsões nesse sentido. ‘‘O Simepar terá supercomputadores para detalhar previsões específicas para o Estado a partir de janeiro’’.
Radar - O Simepar deve levar mais um mês para regular o radar meteorológico instalado em Irati, na região Centro-Sul do Estado. Só depois desse prazo o equipamento vai ser utilizado - em caráter experimental - no monitoramento dos chamados ‘‘eventos severos’’ (granizo, vendavais e chuvas intensas). Por enquanto, os testes são feitos apenas na parte eletrônica do sistema.

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