Mais do que discurso, evitar que a droga entre dentro de casa exige postura familiar. Disciplina, ética, hábitos saudáveis e, principalmente, uma reflexão sobre os prazeres da vida. Prevenir é chegar na frente. A afirmação é do psiquiatra curitibano Luiz Renato Carazzai, que há 20 anos trabalha com o assunto e esteve semana passada em Londrina, participando de um curso promovido pela Organização Não Governamental (ONG) Amor Exigente.
Segundo ele, como o abuso de álcool, drogas, tabaco é uma questão de comportamento, a prevenção tem que começar antes mesmo de a criança nascer. ''O uso da droga é uma conduta que, em grande parte, é definida pelos valores e comportamento da família. As crianças aprendem muito mais com as atitudes dos pais do que o que eles falam'', afirma. Trocando em miúdos, de nada adianta os pais falarem em comedimento, se eles mesmos abusam de bebidas, comida, doces.
Ele exemplifica a questão com a prática muito comum de algumas famílias de só permitir que a criança tome refrigerante no final de semana. ''Embora se queira que isso seja um projeto educativo, o que se passa com isso é que nos dias de semana, quando há escola, afazeres, enfim atividades não muito agradáveis, não se tem direito ao prazer'', argumenta.
Como as drogas são prazerosas, o especialista defende a adoção de um contraponto saudável. ''Mais que uma vida saudável, as pessoas precisam de lazer, atividades físicas, teatro, música'', argumenta. O especialista também orienta educadores e escolas. ''A droga tem que ser transversal, que circule entre todas as disciplinas e a prevenção sistematizada.''
A presidente da ONG, Neide Furtado, frisa que o principal objetivo do curso é formar multiplicadores da prevenção primária. ''Temos que deixar de correr atrás do prejuízo'', diz.

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