Prevenção reduz mortes por doenças cardiovasculares
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As doenças cardiovasculares não têm cura, mas são controláveis e as complicações podem ser evitadas. Em todo o mundo, são 17,5 milhões de vítimas fatais a cada ano. Entre as doenças mais preocupantes estão o infarto, com altos índices de mortes súbitas, a hipertensão arterial e as alterações no colesterol, chamadas pelos especialistas de dislipidemia. A partir dos 40 anos de idade, os casos passam a ser mais frequentes e o tratamento destes males exige mudança na rotina.
O controle de fatores de risco, como o sobrepeso, a prática de atividades físicas e dietas saudáveis possibilitam normatização do quadro clínico sem o uso de medicamentos. Em casos moderados ou graves, os remédios são necessários com a combinação de medidas preventivas e em ambas situações o envolvimento dos pacientes é fundamental. A prevenção pode reduzir em 2/3 a mortalidade por doenças cardiovasculares.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (regional Paraná), José Carlos Moura Jorge, a principal dificuldade está na adesão dos pacientes. Ele exemplifica com os casos de hipertensão arterial, em que aproximadamente 40% dos brasileiros têm o diagnóstico da doença, mas apenas 15% realizam o tratamento adequado. ''É assustador. O fator de risco que leva ao acidente vascular cerebral é a hipertensão e muitos brasileiros morrem de AVC'', afirma Jorge.
Ele é um dos participantes de três eventos sobre doenças cardiovasculares, que começaram ontem e seguem até sábado, em Curitiba. O 1º Fórum de Prevenção de Morte Súbita, o XII Congresso Sul Brasileiro de Cardiologia e o XXXVI Congresso Paranaense de Cardiologia discutem com profissionais do Brasil e do exterior casos da doença em todo o mundo.
Jorge ressalta que, por não terem cura, as doenças cardiovasculares precisam ser controladas. O êxito do tratamento também depende do diálogo entre os médicos e os pacientes, para que não abandonem o acompanhamento. ''Os pacientes não têm a cultura de cuidar das doenças crônicas e têm o conceito de que as coisas são finitas. Em alguns casos a conversa é mais importante que o remédio'', observa.
''Às vezes, o infarto do miocádio não dá a segunda chance. Causa morte súbita, sem sintomas'', alerta Jorge. A partir deste quadro, o cardiologista orienta aos pacientes atenção e rapidez na procura de atendimento nas primeiras dores no peito, uma vez que a demora no atendimento compromete gradativamente a recuperação. ''Existe sempre a negação, (os pacientes) dizem que não é nada, é um mal estar passageiro e deixa de ir a um hospital. O infarto é relacionado ao tempo, quando mais rápido o atendimento, maior a preservação do músculo. Se não for nada, ótimo, mas se for o início do infarto é possível salvar uma vida'', orienta.


