Londrina - De acordo com dados da regional de Londrina da Central de Transplantes, mais de 4,5 mil paranaenses aguardam a chance de receber um órgão. O número de pessoas na fila -que só aumenta- é maior do que a população de 80 municípios do Estado. Em todo o ano passado, entre órgãos captados de doadores vivos e de cadáveres, somente 287 transplantes foram realizados no Paraná.
Preocupado com a situação, o nefrologista Altair Mocelin, coordenador da Central de Transplantes em Londrina, faz um alerta. Para ele, é preciso que as pessoas prestem atenção a problemas de saúde que podem levá-las à fila de transplante, como a hipertensão arterial e a diabetes; doenças que danificam rins e coração.
Segundo Mocelin, estudos indicam que para cada um milhão de brasileiros, 150 devem perder as funções renais neste ano. Isso significa que no Paraná, que tem 10 milhões de habitantes, 1,5 mil pessoas devem ir para as máquinas de hemodiálise e, consequentemente, para a fila de espera por um rim. "Precisamos falar sobre a prevenção, evitar que as pessoas cheguem à fila. Uma medida simples, como checar a pressão, pode contribuir", orienta o médico.
Diego Fernandes Oliveira, 20 anos, tinha uma vida normal, frequentando a escola e nutrindo os sonhos de qualquer jovem. De repente, começou a perder a visão. O diagnóstico: ceratocone, uma doença que não é muito comum e que provoca um afinamento progressivo das córneas e a consequente perda de visão; levando em torno de 20% dos doentes à cegueira. Aos 16 anos, Diego já não enxergava quase nada. Abandonou os estudos. O transplante seria a única solução para que o jovem voltasse a enxergar. Graças à generosidade de um doador, há um ano as cores voltaram a existir para ele. Um transplante de córnea lhe devolveu a visão do olho direito. Ele continua na fila por mais uma córnea para voltar a enxergar normalmente. "Não fiquei sabendo quem foi que doou, mesmo assim quero dizer muito obrigado à família dessa pessoa. Vou terminar o ensino médio e quero cursar a faculdade de Administração".
No entanto, nem todos que estão na fila encontram a felicidade de encontrar um doador. Mocelin comenta que a captação de órgãos de doadores cadáveres continua difícil por causa da desinformação em relação à morte encefálica. Em 2008, das 326 potenciais doações de órgãos de pessoas que tiveram a morte encefálica diagnosticada no Paraná, 105 não se concretizaram por falta de autorização da família.
Já em relação à recepção de órgãos de doadores vivos, o volume não é maior por causa do medo que ronda quem pode ser um doador. "O doador vivo sempre faz o questionamento: e eu, como fico? Mas estudos mostram que ninguém é prejudicado por doar um órgão", explica Mocelin. "Por isso, nunca podemos deixar de lado o apelo para que as pessoas se conscientizem sobre a importância de doar. Conversar com a família, expor a vontade de ser um eventual doador é fundamental", finaliza o nefrologista.

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