Prevenção na indústria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Segundo dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), os funcionários que utilizam drogas ou possuem algum familiar usuário de drogas e álcool estão envolvidos em 65% dos acidentes de trabalho, têm queda significativa de produtividade, faltam 10 vezes mais do que aqueles que não consomem - em média cinco dias por mês, deixam o trabalho mais cedo ou chegam mais tarde, utilizam 16 vezes mais o plano de saúde e solicitam seis vezes mais indenizações, empréstimos etc.
De acordo com o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o absenteísmo dos colaboradores da indústria por questões de saúde é muito alta. ''É mais de 20% na média anual. É como se em um grupo de 100 funcionários apenas 80 trabalhassem de acordo com a estatística. Isso é ruim e acaba até gerando um custo para o país'', ressalta ele, se referindo à importância de reduzir os impactos negativos do álcool e outras drogas na sociedade e ambiente de trabalho.
A prevenção ao uso de álcool e de outras drogas é um dos temas abordados no programa Cuide-se+, promovido pelo Sesi em parceria com secretarias municipais e estaduais, além de entidades não governamentais, lançado ontem em Londrina. A cerimônia foi realizada na unidade do Sesi, com a presença de Campagnolo e do ex-jogador da Seleção Brasileira de futebol e comentarista esportivo, Walter Casagrande.
Com o objetivo de colocar as indústrias como centros de irradiação de ações para melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores, serão apresentadas e oferecidas consultorias para um atendimento mais específico dentro da realidade de cada empresa e suporte para ações institucionais na comunidade, como escolas presentes entorno da indústria. Ao todo, são oito temas relacionados à saúde e segurança do trabalhador.
''O programa tem um objetivo transformador dentro e ao redor da indústria, através de metodologias para diagnóstico e mapeamento de áreas de risco, qualificação de pessoas tanto na prevenção quanto nos encaminhamentos daqueles que necessitam de cuidados específicos'', afirma a gerente regional do Sesi, Maria Cristina de Souza Rocha.
Curiosidade
Pela manhã, os alunos do Ensino Médio do Colégio Sesi puderam dialogar com Casagrande, que falou sobre os desafios e obstáculos que enfrentou no futebol, no jornalismo esportivo e na luta contra as drogas. ''O Casagrande é muito conhecido e tem mostrado aos jovens que é importante ter uma vida saudável, baseado nas experiências que ele teve com o álcool e outras drogas. Ele acaba se tornando um exemplo'', comenta Campagnolo.
Diante de uma plateia curiosa, Casagrande falou sobre seu histórico como jogador de futebol e os desafios na luta contra as drogas. Revelado pelo Corinthians na década de 80, fez parte do movimento da Democracia Corinthiana e também atuou em outros clubes, inclusive fora do país. Em 2007, foi internado em uma clínica pela dependência em heroína e cocaína. Dois anos depois, retornou ao cenário como comentarista esportivo.
Com uma história marcante, a presença de Casagrande entusiasmou os alunos, que o questionaram sobre as dificuldades durante o tratamento e até sobre os bastidores do universo futebolístico. ''O adolescente hoje está bastante interessado em saber sobre este tipo de coisa (drogas). O governo esclarece muito pouco e acho que isso até gera um certo risco, porque essa falta de conhecimento acaba despertando mais curiosidade. Eu conto minha história e acho que é uma forma deles (jovens) terem noção dos riscos que as pessoas correm no envolvimento com álcool e drogas'', comenta.
O estudante Matheus Cruz Lopes, do 3º ano, estava entusiasmado com o evento. Ele, que está acostumado a ver o Casagrande na televisão, diz que foi uma experiência muito interessante. ''É até um incentivo para quem está envolvido com drogas, pois a história de vida dele é muito bacana. Não tem quem não conheça. Achei muito bom''.
Serviço - Informações sobre o programa no www.sesipr.org.br


