O câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil. Do total de mortes registradas, entretanto, cerca de 65% poderiam ser evitadas - metade com ações preventivas eficientes e o restante com diagnóstico precoce. O primeiro passo para implantar programas eficientes de combate ao câncer é ter um sistema de estatística confiável que permita registrar os cinco tipos de câncer de maior incidência, de acordo com a região pesquisada, que normalmente correspondem a 80% dos casos. ‘‘É preciso conhecer os cânceres mais comuns para estabelecer campanhas educativas e métodos de detecção voltados à população saudável’’, explica o médico Rolando Camacho, presidente do Programa Latinoamérica de Combate ao Câncer em Cuba, país referência em programas de controle da doença na América Latina.
No Brasil, por exemplo, o câncer que mais atinge as mulheres na região Sul é o de mama porque, segundo Camacho, a região passa por uma fase de desenvolvimento sócio-econômico. ‘‘Este é um câncer mais comum nos países desenvolvidos e que tem como fatores de risco a gestação mais tarde e a alimentação rica em gordura’’, diz. Na região Norte, entretanto, o câncer mais comum na população feminina é de colo de útero, típico de países subdesenvolvidos. Alguns dos fatores de risco são ter muitos filhos, o primeiro parto precoce e ter vários parceiros sexuais.
O câncer de pele é o mais comum entre os homens em todo o país mas, na região Sul, a grande quantidade de pessoas de pele e olhos claros torna a população local mais suscetível à doença.
Segundo Camacho - que esteve em Curitiba ontem para participar da 9ª Reunião Anual de Registros de Câncer - apesar de os métodos de prevenção e diagnóstico exigirem investimentos significativos, gasta-se muito mais para tratar os casos avançados da doença. Ele explica que programas de controle eficazes dependem da adoção de métodos de diagnóstivo baratos e eficientes. ‘‘É complicado, por exemplo, o diagnóstico do câncer de estômago, que requer equipamento para fazer endoscopia, exame que não é bem aceito pela população.’
No Brasil, as estatísticas ainda são falhas. Em algumas capitais, como Porto Alegre, Belém, Goiânia, Fortaleza e São Paulo, funciona o sistema de registro de base populacional - todos os métodos disponíveis, inclusive atestados de óbito e registros hospitalares, são usados para calcular a incidência dos tipos de câncer.
Segundo Carlos Mortean, chefe do Registro Hospitalar do Hospital Erasto Gaetner, de Curitiba, o Paraná é o único estado brasileiro que integra o Programa Latinoamérica de Combate ao Câncer, voltado à prevenção da doença em 18 países. O programa Viva a Mulher, do Ministério da Saúde, que visa diagnosticar precocemente o câncer de colo de útero, foi implantado há dois anos em Curitiba, uma das cinco capitais escolhidas para testar o programa.

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