Cambé - Diante de inúmeras faltas, baixo rendimento no trabalho e afastamento por doenças - até mesmo as incapacitantes -, um levantamento do Serviço Social dos Recursos Humanos da Prefeitura de Cambé (Norte) constatou que 37% dos servidores tinham problemas com álcool e drogas. Um número alto, levando-se em consideração o universo total de cerca de 1,6 mil servidores. O número se torna ainda mais grave, já que grande parte está nos cargos operacionais, que ocupam 540 vagas. Ou seja, cerca de 200 deles apresentaram a dependência.
Segundo a assistente social Maria de Lourdes de Freitas, quando os problemas chegavam ao conhecimento do setor de apoio, os funcionários eram encaminhados à internação ou tratamento em entidades religiosas ou filantrópicas. ''Muitos deles acabavam por voltar ao vício pela dificuldade em manter o tratamento. Percebemos, então, o quão importante era desenvolvermos um projeto aqui mesmo na prefeitura'', explica. Para isso, um grupo de duas assistentes sociais e duas psicólogas deu início ao Programa de Prevenção e Tratamento de Álcool e Drogas.
Desde o início de março deste ano, as coordenadoras do projeto fazem palestras aos servidores, mostrando as consequências e como podem mudar a situação. ''Neste primeiro contato, falamos sobre a doença e que há possibilidade de tratamento. A partir de então, quem tem interesse, pode participar do grupo fechado, no qual iremos trabalhar basicamente com a metodologia dos Alcoólicos Anônimos. Adaptamos os 12 passos do programa para nossas necessidades e realidade'', destaca.
Desvalorização
Maria de Lourdes comenta que em muitos dos casos, o fato de serem funcionários de cargos operacionais, como coleta de lixo e obras, causa desmotivação. ''São pessoas que têm salários mais baixos, não têm estudo concluído e se sentem desvalorizados. Isso acaba virando um ciclo, porque são estigmatizados e não se sentem capazes de sair daquela situação. A bebida acaba sendo o único refúgio. No entanto, é também a responsável por piorar ainda mais as relações, sejam familiares ou de trabalho.''
Ainda que o grupo esteja bem pequeno e no início, a assistente já começa a contabilizar os resultados. ''Alguns deles não pararam totalmente de beber, mas percebemos que eles se sentem motivados e focados nisso. Temos em mente que é um trabalho longo e de persistência. Mas o acompanhamento de perto dá mais ânimo. Aqui, eles começam a resgatar a autoestima, perceber que têm valor, são úteis e podem se recuperar'', defende.
Serviço: As reuniões acontecem um vez por semana, todas as terças-feiras, às 9 horas, no Centro de Múltiplo Uso. (43) 3174-2611.

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