Prevenção é sempre melhor solução
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sábado, 19 de março de 2011
Marian Trigueiros <br> Reportagem 
Para o promotor do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente (Caopca), Murillo Digiácomo, a prevenção ainda é a melhor saída para o caos vivenciado nos municípios. ''Bato na tecla de que ninguém nasce com uma arma na mão. Apenas a criação de mais e mais vagas é como enxugar gelo. A primeira medida não deve ser a internação. Deixando claro que não estou aliviando para o Estado'', argumenta, ressaltando sobre o imbróglio judicial das obras do Cense de Piraquara que, segundo ele, estão paradas há mais de dois anos. A autorização para construção foi concedida em maio de 2006 pelo valor de R$ 6,7 milhões, sendo que o prazo de conclusão era de 240 dias.
Para tanto, o promotor defende que os municípios tenham políticas de prevenção socioeducativas a fim de diminuir o inchaço e falta de vagas nas unidades. ''Fazendo uma analogia, considero a internação como uma unidade de terapia intensiva. Não posso colocar lá alguém que não precise deste tipo de cuidado específico ou mantê-lo um tempo superior ao necessário. Para isso servem os programas de semi-aberto, por exemplo'', citando alternativas como oferta de educação de qualidade, iniciativas de combate à drogadição.
Segundo ele, tudo isso é necessário para que os adolescentes não mudem simplesmente de sistema: do juvenil para o adulto. ''Se não investirmos em prevenção, combatendo os fatores que geram a violência, o problema vai persistir. O adolescente vai sair da medida e ir para o sistema prisional. Acredito que se isso for feito, num espaço curto de tempo, conseguiríamos diminuir em 80% o índice de criminalidade'', estima. Enquanto isso, a Caopca pressiona a Central de Vagas e orienta promotores a entrarem com Ação Civil Pública para fazer valer suas determinações.


