O desconhecimento da população sobre a trombose, incluindo a classe médica, torna imprecisos os dados sobre a doença no Brasil. Calcula-se que um a cada mil habitantes sofra com o problema no País. Nos Estados Unidos, onde a doença é melhor estudada, as estatísticas apontam a ocorrência de cerca de 500 mil casos de trombose por ano. Destes, 50 mil morrem.
A doença pode se tornar fatal quando leva à embolia pulmonar quando um coágulo se desprende das veias, cai na corrente sanguínea e chega até às artérias do pulmão. Isso só acontece, porém, se não for tratada a tempo. Daí a importância de médicos e pacientes saberem reconhecer a doença, e também prevení-la.
Segundo o angiologista e professor José Manoel Silvestre, 70% dos casos de trombose ocorrem em período pós-operatório, em decorrência do longo tempo de imobilidade a que são submetidos os pacientes. Em 25% das vítimas, as causas do problema são doenças como câncer e doenças cardíacas. Os restantes 5% dos casos englobam causas diversas, como a chamada ''síndrome da classe econômica'', que pode acometer passageiros submetidos a longos períodos de vôo. Em todos, a doença pode ser evitada, já que o histórico de um paciente permite identificar fatores de risco e até levar ao uso de medicamentos preventivos.
Desde que começou a fazer reposição hormonal, há 25 anos, a dona-de-casa Maria Carmem, 70 anos, entrou para o grupo de pessoas mais expostas ao risco de ter trombose. Em uma madrugada de fevereiro, Carmem sentiu a perna esquerda dura e roxa. Encaminhada ao hospital, ela foi diagnosticada e imediatamente começou o tratamento contra trombose. A reposição hormonal foi suspensa. ''Dez anos atrás eu já havia sofrido a doença, mas foi mais leve. Na época parei de fazer reposição, mas acabei retomando'', relata.
Quem já teve trombose tem mais chances de sofrer com ela novamente. Do mesmo modo que quem tem câncer, varizes, obesidade, gravidez, usa anticoncepcionais ou já passou dos 60 anos. ''Existem pacientes de baixo, médio e alto risco. Com base em avaliações, é possível fazer a prevenção, se preciso com anticoagulantes'', avisa Silvestre.

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