Prevenção é palavra de ordem no Estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Da Redação 
Depois que os técnicos descobriram a diferença entre medicina e saúde, a palavra de ordem é prevenir. Os programas de prevenção desenvolvidos pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) no Paraná estão calçados na redução da mortalidade materno-infantil, na atualização dos profissionais de saúde, no aleitamento materno, nas campanhas de vacinação, no controle do câncer ginecológico e no Hospital do Trabalhador.
Desde 1995, quando foi criado, o programa Protegendo a Vida busca a participação da comunidade para reduzir a mortalidade materno-infantil, prevenir os traumas causados por acidentes de trânsito e melhorar a qualidade de vida dos idosos. Este ano a ênfase foi a atualização e capacitação dos profissionais de saúde com o objetivo de reduzir a mortalidade materno-infantil.
Cerca de 25 mil funcionários de todas as regionais de Saúde já participaram este ano de cursos de pediatria, ginecologia e obstetrícia, geriatria, prevenção de doenças sexualmente trasmissíveis, como Aids, e do câncer de colo de útero e de mamas. Também foram realizados cursos de atualização em patologias cardiovasculares, enfermagem, trauma, atendimento comunitário de saúde, atendimento ao idoso, saúde bucal e vigilância sanitária de alimentos. No total, até agora se realizaram 29 cursos, sempre ministrados por especialistas.
Cada Regional de Saúde recebe a equipe de docentes por três dias, quando são ministrados os cursos. Os temas escolhidos visam atender os mais diferentes setores da sociedade, desde médicos até a população em geral, porque qualquer caminho para melhorar a saúde passa, necessariamente, pela comunidade, enfatiza Juba Maranhão, coordenador da Comunidade e Saúde da Sesa. O Protegendo a Vida também envolve os alunos e professores das escolas estaduais e municipais.
De cada mil crianças que nascem no Paraná, 24 morrem antes de completar um ano de vida e de cada cem mil gestantes 87 morrem de parto. A média brasileira é de 41 óbitos infantis por mil. Estamos bem abaixo, mas nosso objetivo é reduzir em mais 30% esses números até 1998, afirma o Secretário de Saúde, Armando Raggio. Isto significa reduzir para 20 o número de óbitos de recém-nascidos por grupo de mil e para 72 os óbitos de gestantes pós-parto a cada cem mil nascimentos.
Para fazer frente a esses e outros desafios, o programa Protegendo a Vida conta com uma verba de R$ 10 milhões - 10% do orçamento da Sesa para 97 -, que serão aplicados na equipagem de 400 salas de parto em hospitais para atendimento de médio a baixo risco, como icterícia e problemas respiratórios. Cerca de 100 municípios estão recebendo berços aquecidos, incubadoras, oxímetros de pulso, fototerapia etc. A Sesa também está licitando a compra de equipamentos de UTIs para recém-nascidos, pois tem por meta aumentar em 100% o número de leitos atualmente disponíveis nessa especialidade, que são apenas 44. Guarapuava, Francisco Beltrão, Pato Branco, Ivaiporã, Toledo e Foz do Iguaçu estão entre as cidades que receberão equipamentos para alto risco.
ConscientizaçãoUma outra frente de trabalho do Protegendo a Vida é o combate ao trauma. A primeira causa de morte no Brasil e no Paraná são os traumas por acidente de trânsito, que ocorrem em maior número na faixa de 15 a 49 anos de idade, a fase em que as pessoas são mais produtivas para a sociedade. Pesquisas da Sesa revelam que 12 mil pessoas morreram no Paraná entre 1992 e 1995 vítimas do abuso de velocidade, falta de cinto de segurança e desrespeito à sinalização. São três mil mortes por ano.
Em parceria com o Detran, o Batalhão de Polícia do Município, a PUC paranaense e a Sociedade Brasileira de Traumaortopedia, a Secretaria desenvolve um programa de educação da população, em particular as crianças. As pessoas precisam se conscientizar de que o Siate e o hospital bem equipado não evitam a morte. O que evita o acidente seguido de morte é o respeito às leis do trânsito. Usa-se o cinto de segurança para se proteger contra impactos, da mesma forma que o capacete do motoqueiro, e não porque se pode pegar uma multa, enfatiza Márcia Huzulac, diretora de Planejamento da Secretaria.
Este ano, o Protegendo a Vida aprofundou e ampliou a proteção à mulher e à criança, incluiu os idosos e os dois maiores agravos da idade adulta produtiva: o trauma e as doenças cardiovasculares. Em 98, vamos avançar ainda mais na ação sobre os grupos já citados e incluiremos aspectos da saúde do trabalhador, explica Lucineli de Laat, coordenadora do Protegendo a Vida.
O Protegendo a Vida é uma proposta de Ação de Saúde da Sesa e do Instituto de Saúde do Paraná em parceria com entidades da sociedade civil.


