Prevenção é melhor arma contra infarto
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Mônica Kaseker 
O infarto matou 3,7 mil pessoas no ano passado no Paraná, confirmando a posição que vem ocupando nos últimos anos de primeira causa de mortes no Estado. Segundo o cardiologista Mário Maranhão, muitas vezes a morte súbita pode ser a primeira manifestação da doença coronariana e apenas 20% dos pacientes têm chance de procurar assistência médica a tempo. Por isso, a prevenção continua sendo a melhor forma de evitar complicações e mortes por doenças cardiovasculares.
A prevenção vai ser o tema do 13º Congresso Mundial de Cardiologia, que começa no próximo domingo no Rio de Janeiro. Hoje começam os primeiros eventos paralelos e um deles vai tratar especificamente do infarto. O cardiologista curitibano Mário Maranhão, que foi presidente das sociedades Paranaense e Brasileira de Cardiologia, preside o Congresso que terá participantes de vários países. Segundo ele, as mortes do deputado Luiz Eduardo Magalhães e do ministro Sérgio Motta, que também já havia infartado, chamam a atenção para a importância da prevenção das doenças do coração.
No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 34% das mortes, o que representa 300 mil pessoas por ano. Destas, 44% têm menos de 65 anos e neste grupo 38% têm menos de 55 anos, como o deputado Luiz Eduardo Magalhães. Maranhão explica que, em caso de infarto, quanto mais rápido o socorro melhor, pois a partir da terceira hora fica mais difícil desobstruir a artéria e salvar o músculo do coração. No caso de Luiz Eduardo Magalhães, as informações são de que ele vinha sentindo há dias sinais do infarto que o matou, mas não deu a eles a importância devida.
Stress, cigarro, alimentação gordurosa e falta de exercício físico leve e regular. Para o cardiologista Mário Maranhão, o deputado Luiz Eduardo Magalhães reunia todos os fatores de risco, inclusive ser filho de um infartado, além de ter passado por uma forte emoção um dia antes por causa da morte do ministro Sérgio Motta. O esforço físico de correr 11 quilômetros em uma hora também foi inadequado, segundo Maranhão.
Era impossível caminhar 11 quilômetros em uma hora, ele deve ter corrido e pode ter sido um esforço além do preparo que ele tinha, afirma. Além disso, o cardiologista acredita que o atendimento especializado tenha demorado muito, já que primeiro Magalhães foi atendido pelo serviço médico do Senado e depois num hospital geral.
O cardiologista diz que as dicas para prevenir o infarto agudo do miocárdio parecem bastante simples, mas são difíceis de ser seguidas porque exigem mudanças no estilo de vida. Comer menos gordura saturada e menos carne vermelha, aumentando a ingestão de fibras e grãos; fazer exercícios físicos de forma leve e regular; controlar hipertensão e diabetes; e evitar cigarros e stress. Maranhão considera que o stress é o mais difícil de contornar, mas diz que nos momentos de maior tensão a pessoa deve parar por alguns minutos, respirar fundo e pensar em algo agradável.


