Se a população continuar usando a água da forma como a utiliza, só teremos água para mais dez anos. Mas se a sociedade civil e governos souberem racionalizar o uso da água, ou seja, não desperdiçar água tratada e preservar os rios longe de construções, o planeta terá água garantida pelo menos por mais 50 anos.
A advertência feita ontem em Curitiba pelo engenheiro civil Carlos Mello Garcia, mestre em sanitarismo e diretor do curso de Engenharia Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) deu o tom da 1 Jornada Ambiental Multidisciplinar, que reuniu advogados, empresários, estudantes e especialistas em questões ambientais para discutir os diferentes aspectos do meio ambiente.
Como no caso da água, os participantes foram unânimes em afirmar que só prevenção, conscientização da população e trabalhos de parceria entre a iniciativa privada e pública são capazes de conter a degradação ambiental. ''Nossa legislação é uma das mais modernas do mundo. O problema é aplicá-la'', disse a advogada e consultora ambiental Telma Bartholomeu Silva, diretora do Núcleo de Estudos Paulistas (NEP).
Para o juiz de Direito Mário Chluvite Junior, especialista em Direito Constitucional, aos poucos a comunidade, empresários e governos estão se conscientizando, evitando construções em áreas de mananciais ou próximas a rios, entre outras ações de conservação. ''As empresas sabem que têm responsabilidades civil, penal e administrativa se contrariarem a lei. E muitas já estão vendo que vale mais a pena gastar R$ 10 mil para prevenir do que R$ 100 mil para recuperar os danos depois.''
Ele concorda, no entanto, que não raro a própria Justiça acaba dando parecer favorável a indústrias que querem se estabelecer em áreas impróprias. Ele conta que em uma ocasião, em Sorocaba (SP), concedeu liminar contra a construção de uma empresa em uma área de grande quantidade de árvores nativas. A empresa recorreu e depois de várias decisões judiciais ganhou, no Supremo, o direito de desmatar e construir.
A Jornada foi promovida pela NAP, Andrade Engenharia - empresa de consultoria ambiental, Siemens e pela BPW - Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Curitiba.

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