Prevenção é falha na construção civil
A falta de informação sobre acidentes de trabalho leves é hoje o principal obstáculo para a prevenção. Órgãos e entidades do setor produtivo que adotam programas de treinamento de empresários e trabalhadores, não têm estatísticas para evitar os acidentes de menor proporção. Os números mostram apenas os casos de mortes, invalidez ou de afastamento prolongado do trabalho, explica o engenheiro Sérgio Silveira de Barros, da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná, que abriu ontem em Maringá o 3º Seminário de Segurança do Trabalhador.
Ele explica que as empresas preferem não comunicar os pequenos acidentes, até por uma questão de receio da fiscalização. O comportamento, segundo ele, prejudica a formação de um banco de dados, que poderia orientar o trabalho preventivo.
Outro prejuízo para o trabalhador e para as empresas, devido a esse comportamento, é a falta de prevenção no caso de doenças do trabalho. Ele revela que em 96 foram registrados no Paraná 293 acidentes fatais de trabalho e outros 519 incapacitantes.
Para o delegado regional do Trabalho no Paraná, Tércio Alves de Albuquerque, além das estatísticas, o setor produtivo necessita de informação para eliminar os acidentes. O Paraná era o sexto em acidentes de trabalho há cerca de três anos, e agora não está nem entre os 15 primeiros, garante. Isso graças a um trabalho de parceria na prevenção.
Albuquerque lembra que o índice de acidentes na construção civil de Londrina era um dos maiores do País. Fizemos parcerias e batemos firme na questão de treinamento do trabalhador e nos dois últimos anos foi registrado um acidente fatal na cidade, comemora ele.
Em Cascavel, operários estão participando esta semana da Campanha Estadual de Prevenção de Acidentes de Trabalho na Construção Civil nos locais de trabalho. A campanha é liderada pelo Comitê Permanente Regional de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil (CPR/PR), com apoio dos sindicatos regionais da Indústria (Sinduscon/Oeste) e de trabalhadores da Construção de Cascavel (Sintrivel). Estatísticas indicam mais de cem acidentes em obras anualmente em cada grupo de cem mil trabalhadores.
A campanha utiliza manuais, vídeos e palestras para orientar os operários sobre prevenção de acidentes, desde quedas de andaimes até o levantamento e transporte inadequado de pesos acima da capacidade física das pessoas. Também é feita orientação sobre drogas, alcoolismo, higiene pessoal e outros problemas que influem no desempenho e segurança dos trabalhadores. O Ministério do Trabalho deveria participar com técnicos para as palestras, mas alegou falta de recursos para custear viagens. O projeto está sendo custeado inteiramente pelo Sinduscon e Sintrivel.
Para o diretor de Políticas e Relações do Trabalho do Sinduscon, engenheiro Vidal Boaretto, empregados e empregadores devem dividir responsabilidades no canteiro-de-obras, para melhorar as condições de segurança, o que pode ser conseguido com uso de equipamentos adequados, mas também com amplo processo educativo. (Colaborou Paulo Pegoraro)Edson MazzettoOperários de Cascavel participam de palestra sobre acidentes de trabalhoMarcos Zanatta





