Prevenção e acolhimento para o colaborador
Prescindir das habilidades que um funcionário adquiriu ao longo dos anos não é a melhor alternativa para a empresa, mesmo que este funcionário esteja envolvido com álcool ou outro tipo de droga. A solução é direcioná-lo a tratamentos de recuperação e reinseri-lo no ambiente de trabalho. A orientação é do professor universitário Jorge Luiz Barbosa da Silva, especialista em dependência química e presidente do Conselho Municipal sobre Drogas (Comad) de Florianópolis (SC).
''Este tipo de medida é uma alternativa exitosa em meio à intensa quantidade de drogas que tem circulado na sociedade e afetado, inclusive, os ambientes de trabalho'', afirma. Silva conduz, até novembro, o curso ''Drogas lícitas e ilícitas: até onde estamos envolvidos?'', destinado a gerentes, chefes de divisão e encarregados de seção do Hospital Universitário de Londrina.
O especialista defende que o uso de droga não é uma questão que pode ser resolvida pelo simples fato de colocar o colaborador à disposição de um outro setor ou punido de alguma forma. ''O ideal é retirar a pessoa que está dependente de drogas do circuito e tratá-la em um ambiente que não seja aquele no qual está trabalhando, até para que se reservem as questões da singularidade e não haja constrangimento'', ensina.
Segundo ele, é desta maneira que muitas organizações federais, estaduais, municipais e privadas estabelecem convênios com espaços terapêuticos para trabalhar esta questão, com ''grande êxito''. ''Inúmeros bons funcionários tiveram o seu tempo de recuperação, ficaram muito equilibrados, voltaram a fazer as suas atividades normais e continuaram a desenvolver algum programa de acompanhamento para não reincidir na droga'', relata.
À empresa cabe preparar o ambiente de trabalho para acolher o colaborador sem constrangimento e acusações. Quando a pessoa retoma suas atividades no emprego, continuam sendo supervisionadas pela terapia, tendo um vínculo para que, fortalecida, não recaia no uso de drogas. ''Esta é a solução, com bons resultados para a maioria dos casos'', afirma Silva, reforçando a importância de apoiar os usuários, ''visto que muitos são excelentes profissionais quando não estão usando drogas''.''
Jorge Silva acrescenta, ainda, que é necessário tratar os funcionários de maneira preventiva, para que não comecem a usar drogas; curativa, para quem já usa; e também reintegrando aquele que já fez tratamento e está sendo readmitido ao espaço. (A.V.)





