Fazer exames de rotina quando se tem um plano de saúde é tarefa simples. O clínico geral ou outro especialista preenche a guia com os requerimentos e os testes podem ser realizados em laboratórios conveniados sem muita espera. Já quem não pode contar com a saúde privada esbarra em dois problemas: a falta de orientação quanto à necessidade do check-up e a dificuldade em realizá-lo (veja texto nesta página).
O incentivo à medicina de prevenção é uma preocupação do Ministério da Saúde, que tem uma diretriz que orienta secretarias estaduais a incorporar programas de saúde do homem, da mulher e do idoso - que incluem campanhas de combate à obesidade e incentivo à atividade física - e a realizar a busca ativa da população para exames de rotina. Uma das vantagens esperada dessa política é a redução do número de afastamentos - como aposentadoria precoce - por problemas de saúde.
O cardiologista André Langowiski, da divisão de Risco Cardiovascular da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), concorda que o check-up médico é uma estratégia de saúde pública. ''Estamos trabalhando este ano justamente para estipular uma quantidade de exames que possa abranger um número maior de pessoas.'' O Programa de Saúde da Família - em que um agente visita as casas para observar se algum morador precisa ir ao médico - vem sendo uma tentativa de mudar esse panorama. No entanto, as estatísticas ainda são precárias.
Em geral, os homens são os mais relaxados no que diz respeito à prevenção. Em Curitiba, uma estratégia ligada ao programa Mãe Curitibana já levou 2,5 mil companheiros das grávidas cadastradas a consultas médicas iniciais, desde maio de 2009. Eles se submeteram a testes de HIV e sífilis, entre outros. O objetivo da iniciativa é justamente ''zelar pela saúde masculina''.
Segundo o Banco Mundial, o custo do tratamento das doenças não transmissíveis (DNT) - que podem ser detectadas em exames de rotina - responde por quase metade do custo das internações hospitalares. Pesquisa realizada pelo banco mostrou, em 2008, que o fornecimento de tratamento anti-hipertensivo para 25% das pessoas que sofrem com o problema, a ampliação de campanhas em prol da atividade física e o aumento da carga tributária sobre o cigarro gerariam cerca de US$ 1 bilhão (ou cerca de R$ 1,6 bilhão) em economia com custos de tratamento e economizaria cerca de US$ 3,1 bilhões em tratamento e perda de produtividade.
Entre as várias recomendações apresentadas no documento do Banco Mundial que trata do assunto, está ''melhorar a prevenção secundária das DNTs mediante melhores cuidados de saúde e triagem'', o que significa incentivar a adesão e continuidade do tratamento, cuidados integrados e a capacidade dos pacientes de autoadministrar sua doença.(M.R.M.)

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