Prevenção através da arquitetura
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Antes de comprar um imóvel, o cidadão deve observar aspectos arquitetônicos que são fundamentais para a prevenção de crimes contra o patrimônio. Os cuidados para evitar roubos e arrombamentos são necessários em países como o Brasil - onde a criminalidade é crescente. Pensando nisto, foi desenvolvido em Curitiba um estudo sobre a Arquitetura do Crime. A pesquisa vai se transformar em livro no início de maio. Cartilhas serão distribuídas em todo o Estado para prevenção de crimes em residências e no comércio.
O estudo foi desenvolvido pelo tenente-coronel Roberson Bondaruk, comandante do Regimento de Polícia Montada Coronel Dulcídio (que atende uma das regiões com maior concentração criminal da capital). Foram entrevistados 287 presos e analisados as 101 residências e os 100 pontos comerciais mais atacados por ladrões em Curitiba.
Durante a pesquisa, Bondaruk descobriu que 71% dos criminosos preferem assaltar residências com muros. Isso ocorre, segundo os próprios presos, porque o muro impede que alguém os veja de fora da propriedade. ''Os muros reduzem a visibilidade e criam pontos de emboscada. Os proprietários de imóveis devem procurar usar grades. De preferência com mais de dois metros de altura'', orienta o oficial.
Os locais mais escolhidos pelos criminosos para a prática de furtos são normalmente próximos a terrenos baldios (21%), com pouca luminosidade (20%) e precisam ter áreas com cantos escuros (18%). ''O que percebemos é que as residências são violadas, parte das vezes, por conta da estrutura. O muro não pode servir como rampa e nem dar acesso para sacadas. O sistema de iluminação da frente da casa tem que ser perfeito, para evitar que se montem pontos escuros. O paisagismo é péssimo na frente da casa porque aumenta a escuridão noturna'', analisa.
As casas são escolhidas (em vez de sobrados ou prédios) pela maioria dos criminosos. Muitas vezes, os ladrões preferem as casas pela facilidade na hora de entrar. ''O que acontece é que as pessoas ainda facilitam. Muitas vezes deixam os portões abertos, sem cadeados. Quando não é ainda pior: deixam a chave na ignição do carro, a porta da frente ou dos fundos aberta'', pontua.
Bondaruk observa que 70% dos crimes que a polícia atende são de baixo potencial ofensivo, como pequenos furtos e roubos. ''Se a gente pudesse resolver a arquitetura, eliminando a oportunidade do ladrão de entrar na residência, reduziríamos grandemente o número de ocorrências atendidas pela Polícia Militar. Quem ganha com isso é a sociedade, já que a polícia poderia se preocupar com outros crimes, como o tráfico de drogas''.


