O presidente da Fundación de Prevención Educativa Contra la Droga, o espanhol Rafael Mateo Tari, defende as ações de prevenção como melhor forma de evitar que a droga se transforme em uma pandemia. Esse foi o tema principal da palestra que ministrou na segunda e terça-feira, a convite das Faculdades Curitiba, para instituições e educadores interessados em diminuir o uso da droga na infância e na adolescência.

Tari acredita que a família e a escola têm um papel fundamental para desviar o interesse de crianças e adolescentes pelo consumo de drogas. Sua proposta é trabalhar na mudança de comportamento e reforço da personalidade, para que os jovens saibam enfrentar as suas carências e limitações. ''A falta de maturidade pessoal para enfrentar situações cíclico-sociais faz com que a pessoa, em vez de corrigir ou modificar seus defeitos e carências, recorra ao caminho da droga.''

A assessora técnica da Fundação, Carmem Vieites Conde, reforça que a relação família/escola deve ser bastante estreita.

Para Tari, que desde 1996 vem orientando a implantação de programas voltados ao combate às drogas, as escolas devem trabalhar na capacitação dos professores para que estes estejam cientes de que é importante educar para a vida. Segundo ele, os professores podem aproveitar qualquer disciplina para abordar o assunto. ''No caso das crianças menores de sete anos, a prevenção deve ser inespecífica, isto é, desenvolver a personalidade sem falar diretamente de drogas.''

Tari não quis opinar a respeito da atuação do governo brasileiro na prevenção e combate às drogas até porque não conhece os programas desenvolvidos aqui. Entretanto, para ele, o Brasil deveria ter maior participação nos encontros de cooperação judiciais entre os países ibero-americanos, promovidos pela Fundação Ibero-americana de Estudos Jurídicos Sociais sobre Dependência de Drogas. ''Nessas reuniões são discutidas a forma com que cada sistema judicial afronta o problema das drogas.'' Rafael Tari será recebido hoje pelo Ministro da Justiça para reforçar o convite para que o Brasil envie representantes aos encontros.

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