PREVENÇÃO - Higiene bucal contra infecções hospitalares
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Há muito tempo se estuda a relação de problemas bucais como foco de infecções dos pacientes, especialmente aqueles que ficam internados em unidades de terapia intensiva (UTI), que não possuem condições de realizar a higiene bucal por conta própria. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) recomenda que as UTIs mantenham um profissional odontólogo para coordenar os trabalhos de uma equipe própria, para evitar que pacientes nessa situação desenvolvam pneumonias ou outros tipos de patologias. No Paraná, o Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná é o pioneiro entre as instituições públicas a desenvolver esse serviço. Em Londrina, o Hospital do Coração também realiza esse tipo de atendimento.
A professora associada do departamento de Medicina Oral e Medicina Infantil do HU, Elisa Tanaka, explica que a higienização bucal está entre os procedimentos indicados para a redução dos casos de pneumonia em pacientes que recebem ventilação mecânica ou que estejam entubados. Segundo ela, antes da implantação desse serviço, a equipe de Enfermagem realizava um procedimento de limpeza mais simples, utilizando gazes. Agora há um protocolo de higienização mais rigoroso, com o uso de escova de dentes e limpeza de língua. "Utilizamos produtos específicos, com antisséptico bucal com clorexidina a 0,12%. Ao mesmo tempo realizamos a aspiração da saliva da boca e do início da garganta", aponta. O serviço foi implantado na UTI 1 do HU no dia 1 de março.
Segundo Elisa, ainda não há estudos sobre a diminuição da quantidade de bactérias na boca dos pacientes, mas há uma estimativa de que elas tenham reduzido em aproximadamente 80% com essa higienização específica. "Ela acaba reduzindo a placa bacteriana, o tártaro e elimina os restos de alimentação", enumera. Ela ressalta que a própria ventilação mecânica leva a boca a ficar ressecada e isso pode provocar feridas que podem ser portas de entrada para novas infecções.
"Nós não nos restringimos à higienização bucal. A equipe identifica lesões por intermédio de exames físicos da cavidade bucal. Já conseguimos identificar no HU pacientes que estavam com outras lesões que estavam interferindo na sua saúde, como dentes fraturados no acidente", aponta a professora, relatando que no momento do acidente foi identificada a fratura, mas não havia infecção. "Depois de internado, essa fratura tornou-se um abscesso e complicou a recuperação. Foi uma infecção a mais que o paciente não tinha como relatar, pois estava inconsciente", explica.
Além de prolongar o tempo de internamento, essa infecção pode agravar o quadro do paciente. "A bactéria pode entrar diretamente na corrente sanguínea e se alojar na válvula cardíaca, provocando uma endocardite", explica Elisa, informando que isso pode provocar a morte desse paciente.
Na UTI 1 do HU existem 10 leitos para adultos, onde são registradas de seis a 15 casos de pneumonia associadas à ventilação mecânica. Existe a intenção de estender a presença de dentistas em outras UTIs do hospital: a unidade 2, também com 10 leitos para adultos; a UTI pediátrica, com sete leitos; e a neonatal, com 17 leitos. (Leia mais na pág.2)


