Imagem ilustrativa da imagem PREVENÇÃO - Escova facilita higienização em hospital
| Foto: Fotos: Saulo Ohara
Trabalho é realizado no Hospital do Coração de Londrina desde o ano passado



Uma escova de dentes desenvolvida em Londrina tem auxiliado no combate às infecções na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Coração. O instrumento vem sendo desenvolvido por uma parceria entre a equipe conduzida pela coordenadora do departamento de Medicina Oral e Medicina Oral Infantil da instituição, Jéssica Scalco, com uma indústria de equipamentos odontológicos. O diferencial dessa escova é que ela possui um orifício pelo qual é feita a conexão com um tubo flexível ligado à válvula de sucção da UTI.
O instrumento já existe nos Estados Unidos há anos, mas esse equipamento americano e outro, desenvolvido por uma empresa de São Paulo, não adotam escovas de uso único. O material desenvolvido aqui, por sua vez, pode ser descartado. "Desenvolvemos essa escova de dente que pode ser ligada na válvula de vácuo no próprio leito do paciente e ela possibilita a aspiração da saliva sem que haja problemas do paciente engolir esse líquido", aponta Jéssica. Embora o equipamento esteja patenteado, ainda não foi lançado comercialmente. Isso porque a indústria parceira quer que os resultados do uso, que vêm sendo coletados desde o início de 2015 (quando o serviço foi implantado), estejam avalizados por alguma publicação científica.
Jéssica revela que os dados coletados estão sendo compilados e que, possivelmente até o fim deste ano eles devem ser publicados. "Por enquanto foi fabricado apenas o lote para fazer a pesquisa", explica.
A coordenadora compara a higiene realizada agora com o período em que era utilizada apenas com uma haste associada a um enxaguante bucal. "Embora ainda não tenhamos os dados publicados, visualmente essa melhoria da higiene é perceptível. Os enfermeiros comentam que as bocas estão bem mais limpas e isso tem diminuído as infecções", aponta, ressaltando que essa nova escova possibilita que apenas uma pessoa consiga realizar a higiene bucal. "O equipamento facilita o trabalho onde o acesso é bastante complicado", analisa.
Segundo Jéssica, um dos maiores problemas para os dentistas atuarem nas unidades de terapia intensiva é que a odontologia hospitalar é muito nova e os convênios dos planos de saúde ainda não preveem a cobertura desse serviço. Por isso, essas despesas precisam ser custeadas pelo próprio hospital.
Jéssica aponta que além dela, a equipe odontológica do Hospital do Coração conta com oito estagiários do Instituto Federal do Paraná e da Unopar. Eles são integrados com a equipe de Enfermagem Intensivista.
Segundo a profissional, além dessa higiene com a escova, pacientes oncológicos são submetidos a um tratamento de laserterapia preventiva para evitar a mucosite. "Essas úlceras (feridas) surgem por causa do tratamento com radiação", afirma.
O Hospital do Coração possui 35 leitos de UTI, 17 semi intensivos e oito pediátricos. A higienização é realizada em pacientes de todos esses leitos.

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