Prestes e Niemeyer no ''Velho Oeste''
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terça-feira, 30 de outubro de 2001
Emerson Dias 
Numa tarde ensolarada, típica dos outonos quentes e secos do oeste paranaense, cerca de 3 mil militantes da Coluna Prestes - o mais conhecido movimento revolucionário da história brasileira - tentavam fugir do contingente de 10 mil soldados do exército federal.
Era 12 de abril de 1925, mas a perseguição havia começado dias antes, depois de um confronto em Foz do Iguaçu. O grupo alcançara a região de Porto Mendes, atual município de Santa Helena e distante 110 quilômetros de Foz, quase um dia à frente do pelotão enviado pelo presidente Arthur Bernardes. Depois de cruzarem o Rio São Francisco Falso, o comandante Luiz Carlos Prestes teve a idéia de queimar a ponte, prejudicando o avanço das tropas. Enquanto a via era consumida pelas chamas, o grupo rebelde dava continuidade à marcha que percorreu 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil.
Esse fato histórico, entre os vários relatos que marcaram as andanças do contingente liderado pelo ''Cavaleiro da Esperança'', será sempre lembrado pelos moradores da região oeste do Estado graças ao monumento de 25 metros construído ao lado da (hoje) chamada Ponte Queimada. O marco foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pode ser visto pelos viajantes à margem esquerda da Rodovia Coluna Prestes, entre Santa Helena e Diamante do Oeste. Os alicerces da antiga via destruída pelas chamas ainda repousam sobre as águas do rio, próximos à nova construção em concreto armado.
A altura do monolito é referência direta ao trecho percorrido pelo grupo de militares dissidentes surgido na década de 20, durante o chamado Tenentismo. Na época, a população não compactuava com as imposições do governo federal, provocando assim a eclosão de duas marchas distintas: a Coluna Paulista, liderada pelo general Izidoro Dias Lopes, e a Divisão Rio Grande, comandada pelo então jovem capitão Prestes. A união de ambos ocorreu no oeste do Estado, durante um acampamento em Porto Mendes.
Junto ao monumento, uma placa descreve o percurso da marcha na região (Foz, Porto Mendes, Serra Nova e San Martin, no Paraguai) e mantém um texto que homenageia ''os revolucionários que semearam a esperança de construir um Brasil onde os ideais liberais de representação política e Justiça conquistassem o devido lugar em nosso País''.


