César AugustoFelicidadeAraci Bigaia: 10 filhos criados em uma edícula que seria destinada a vestiário de um campo de futebolAraci dos Santos Bigaia, 40 anos, é uma das 23 famílias beneficiadas pelo Programa Casa Feliz, em Cambé. ‘‘A gente já tinha feito inscrição em um monte de programas na tentativa de conseguir uma casa, mas nunca dava certo porque não tinha emprego fixo, e não podia comprovar renda. O jeito foi ir ficando por aqui mesmo’’, conta. Feliz com a oportunidade de conseguir concretizar finalmente o sonho de ter uma casa, ela afirma que, não fosse esse novo programa e o empenho da Secretaria de Ação Social, sua vida ia continuar ‘‘na mesma’’.
Araci criou seus 10 filhos em uma edícula construída no campo de futebol do Jardim Tupi para funcionar como vestiário e lanchonete. Ela vive no local há 12 anos. A ‘casa’ que divide com a família é composta basicamente por dois cômodos improvisados: a cozinha e o quarto (não incluídos aí os banheiros feminino e masculino, que têm as portas para o lado de fora da construção).
Hoje moram no local apenas ela, o marido e quatro filhos. À noite, dois dos filhos dividem a cama de casal e os demais membros da família dormem no chão do quarto e da cozinha. ‘‘Eu tenho dor nas costas e não suportaria dormir na cama. E conforto a gente guarda para os filhos.’’
César AugustoReceioMarcos Buque: sem emprego fixo, a preocupação é não conseguir arcar com as prestações da futura casa
Dos filhos que ainda moram com ela, o de 18 anos trabalha e estuda, e ajuda a manter a família. O marido só conseguiu trabalho recentemente, em uma tecelagem da cidade. Ela está desempregada. ‘‘Passei por uma cirurgia e só vou poder recomeçar a trabalhar daqui a umas duas semanas’’, diz. Ativa, Araci complementa que não consegue ficar longe do serviço.
Se Araci está contente com a perspectiva de mudança, o vigia desempregado Marcos Buque está ‘‘preocupado’’. Sua família também está entre as contempladas pelo programa, mas ele tem medo de não poder arcar com a prestação. ‘‘Estou pegando todo serviço que aparece. Não importa o tipo. E tudo que eu ganho vem direto para casa para garantir a comida das crianças. Não sei se vou conseguir garantir a prestação também’’, diz. Ele e sua esposa têm três filhos; dois meninos de seis e oito anos e uma menina de um ano e meio. A esposa não trabalha.
Há quatro anos, Buque e a família moram em uma casa improvisada com restos de madeira e lona, em uma chácara perto do Novo Bandeirantes. Ele conta que está lá com o consentimento do proprietário e não precisa arcar com as contas de água ou luz. ‘‘A prestação pode parecer baixa, mas não adianta nada eu mudar para uma casa melhor se eu não conseguir emprego. Aqui, pelo menos meus filhos têm o que comer.’’
(Célia Baroni)

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