Pressionado, Incra faz promessa a sem-terra
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Betânia Rodrigues Enviada a Jaquapitã 
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos Araújo Vieira, prometeu ontem assentar 180 famílias de sem-terra na região norte nos próximos quatro meses. Este foi o resultado de uma visita à ocupação Florestan Fernandes, em Florestópolis, intermediada pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin.
De acordo com o padre de Jaguapitã, Constantino Borg, a intenção da Igreja é contribuir para o fim da violência no campo e agilizar o processo de reforma agrária. Neste caso em específico, trata-se de um grupo de sem-terra que foi despejado dos acampamentos Dom Helder Câmara, da fazenda Santa Maria, em Jaguapitã, e Jacutinga, de Porecatu. A dupla desocupação ocorreu no dia 17 de julho mediante a intervenção de 400 policiais militares. Eles saíram sem levar nenhum móvel ou ferramenta de trabalho. De produtores passaram a desabrigados que vivem de doações da comunidade, diz o padre.
Da fazenda Santa Maria foram transferidas 80 famílias para o assentamento Florestan Fernandes e da Jacutinga mais 100 para o assentamento Ingá, em Alvorada do Sul. Promover o diálogo entre governo e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi a forma que a Igreja encontrou para amenizar o problema. Junto com Vieira veio também o assessor do governador para assuntos fundiários, Antonio Carlos Coelho e o secretário-executivo do Banco da Terra na região, Luiz Ganassim.
Devido ao atraso na chegada à Jaguapitã, a comitiva vistoriou apenas o assentamento Florestan Fernandes. Para viabilizar a promessa de assentamento, o superintendente estadual do Incra garantiu que, no máximo, em 20 dias todos os acampados serão cadastrados e depois selecionados. Mas, até lá, nem governo federal, estadual ou municipal se responsabiliza pelo fornecimento de cestas básicas. Segundo Vieira, esse benefício só é concedido aos assentados que esperam os frutos da primeira colheita. Para Coelho, a causa dessa situação é o desemprego que se espalha por todo País.
De todas as promessas feitas por Vieira, a que provocou maior discussão foi a de se empenhar na arrecadação de áreas. Diante da pressão dos sem-terra pela posse das fazendas Santa Maria e Jacutinga, ele respondeu categoricamente que vai cumprir todas as indicações do seu departamento jurídico. Quando chega nesse ponto sabemos que o processo não vai dar em nada, opinou José Damaceno, coordenador estadual do MST.


