Pressão social também leva ao vício, diz psicóloga
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sábado, 22 de março de 1997
Da Redação 
Mário CésarSimone: crítica a anúncio federalOs adolescentes e jovens começam a usar drogas - de todos os tipos, do cigarro, passando pelo álcool e chegando à cocaína - levados pela curiosidade, ociosidade, falta de perspectiva na vida, falta de espiritualidade ou por pressão social: dos amigos, das crises familiares e das propagandas nos vários meios de comunicação. Esta é uma das conclusões a que chegou a psicóloga-clínica Simone Martin Oliani, nos seus quase 15 anos de trabalho com dependentes de drogas químicas.
Segundo ela, não há como a sociedade fugir ou esconder a realidade. As drogas estão presentes, hoje, em todos os lugares e em muitos colégios da Cidade. Os adolescentes com 11 e 12 anos já estão usando com frequência e abusivamente o álcool, o cigarro e, em alguns casos mais graves, a maconha, a cocaína, o crack, a cola de sapateiro e outros solventes, além de medicamentos como anfetaminas e antidepressivos, que causam dependência e sérias consequências para a saúde física e mental deles.
A psicóloga, formada pelo Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que o consumidor de drogas pode passar por três estágios básicos. O primeiro é chamado de conhecimento: nele, o usuário sente o prazer de descobrir o novo, das viagens proporcionadas pelo efeito das drogas, e não tem ainda dependência delas. O segundo é o de uso moderado: neste, a relação com as drogas se torna mais íntima e frequente, mas o usuário ainda consegue manter seu ritmo de vida na escola, no trabalho e na família. Dependendo do tipo de droga usada, é aqui que se iniciam a dependência e as consequências físicas. O terceiro é o do abuso crônico, da dependência: se esfacelam os vínculos familiares, escolares e de trabalho. O usuário passa a ter sérios problemas físicos: descoordenação motora, aminésias, delírios, manchas na pele, doenças nos aparelhos digestivo e respiratório, apatia ou agressividade, e demências que podem levar à loucura e morte.
Simone Oliani - que também presta serviço de orientação aos alunos do Colégio Estadual Nilton Guimarães, através da Associação de Pais e Mestres, avalia que a atual campanha publicitária do governo federal antidrogas está tendo efeito contrário aos seus objetivos. Aquela história da maria vai com as outras é agressiva e ridiculariza os usuários de drogas. Uma pessoa não pode ser comparada a um asno só porque usa ou é dependente de drogas. O que os usuários menos precisam são de rótulos, agressões e discriminações.
Na opinião dela, o único caminho é o do respeito, da informação, do apoio e tratamento médico e psicológico. Aquelas atitudes são improdutivas para a solução do problema. Temos que entender que o adolescente e o jovem são, por natureza, contestadores e gostam de fazer oposição às regras, de quebrar leis. A saída é o diálogo sincero, aberto e leal. Temos que falar sobre a realidade dos fatos, dos perigosos efeitos e das consequências da dependência química. E, ao mesmo tempo, oferecer solidariedade, apoio, tratamento adequado e carinho aos usuários.
(Osmani Costa)


