Pressão sobre policiais é enorme

De cada 100 PMs, cinco são encaminhados para apoio psicológicoO estresse leva cinco de cada 100 policiais militares para o apoio psicológico do Serviço de Assistência Social (SAS) da Polícia Militar. De acordo com o capitão Itamar Brasil Krieger, do SAS, a pressão do dia-a-dia, mais a rigidez na formação, faz com que 5% do efetivo da polícia do Paraná (cerca de 22 mil homens) sofra algum desvio de conduta. Alcoolismo, crises familiares e depressão estão entre os desvios mais comuns. ‘‘Nesses dias em que houve reclamações contra a falta de segurança, a pressão sobre os policiais aumentou. Eles atuaram no limite’’, observa o capitão Itamar.
‘‘Quem trabalha no serviço operacional, na Tropa de Choque e Corpo de Bombeiros, tende a sofrer mais nas situações extremas’’, afirma o capitão. Dos militares em tratamento, seis em cada dez são desses grupos. Por isso, a cada três meses eles são submetidos a exame psicológico.
Para segurança pessoal dos policiais, eles atuam nas ruas com equipamentos proteção (como coletes à prova de balas), mas por isso eles se sentem tranquilos. Estudos da PM do Paraná revelaram que um policial durante o assalto registra batimento cardiáco perto de 140 batida por minutos - o habitual é de 70 -, além do aumento na transpiração. ‘‘A formação técnica nem sempre funciona na ação, por isso muitas vezes a reação esperada pelo policial acaba não sendo a ideal’’, avalia o major José Paulo Betes, da Comunicação da PM.
Para ilustrar o estresse, o capitão Itamar Krieger conta que há um ano, durante uma batida policial, um soldado matou um senhor que estava tirando o documento do bolso. ‘‘Quando se fez o exame, descobriu-se que os níveis de adrenalina no sangue do policial eram altos’’, conta. Excitado, o policial perde a sensibilidade e a noção da pressão que exercia sobre o gatilho.
A PM combate os erros com treinamento e prática de esportes.
‘‘Mas esses métodos não servem para superar o controle rígido dos sentimentos. O sinal de controle às vezes mascara situações de conflitos pessoais, fazendo com que o policial tenha traumas ainda não revelados’’, afirma o presidente da Associação de Defesa dos Policiais Militares da Ativa e Pensionistas, Elizeu Furquim. Ele conta que entre policiais existe um grande número de famílias dissociadas. ‘‘Os que descarregam a tensão e a violência da rua em casa’’, aponta.
MenorElizeu alerta que outro grande problema que os policiais enfrentam é em relação ao menor. ‘‘Estão surgindo pessoas que sabem das dificuldades da polícia e se especializaram em armar e manipular os menores, como instrumento de crimes delituosos’’, denuncia. ‘‘O Estatuto do Menor proporcionou uma retaguarda muito forte para o menor infrator. A ponto de, se um policial o prende, surgirem dezenas de apoio ao menor e críticas ao policial’’.
A presidenta da Associação dos Magistrados e Promotores de Justiça da Infância Juventude e Família, juíza Terezinha Ruzzon, rebate que os menores infratores não estão impunes. ‘‘Existe no Estatuto da Criança e do Adolescente punições aos menores infratores e não há esta impunidade’’.
Para o procurador de Justiça, Olympio de Sá Souto Maior Neto, a questão da impunidade está na falta de informação de quem deveria cumprir o Estatuto. ‘‘Há um grande equívoco quando se fala por aí que o menor infrator não é punido e que a polícia está de mãos atadas. O estatuto prevê a responsabilidade’’, emenda.(Israel Reinstein e Ana Clara Garmêndia).

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