Presos vão para delegacia reformada
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Mário CésarMudança de celaTransferência de presos para o 4º Distrito Policial, na manhã de ontem: meta é evitar superlotaçãoUm dia depois de terminada a reforma, o 4º Distrito Policial de Londrina, no Jardim Europa, zona sul da Cidade, recebeu ontem pela manhã 20 detentos. Todos foram transferidos do 2º DP, situado na vila Santa Terezinha (zona leste). A remoção teve como objetivo diminuir a superlotação do 2º DP, delegacia que ainda se encontra em reforma. Com capacidade para 24 presos, o 2º DP fica, após a transferência, com 64 detentos - 41 homens e 23 mulheres.
Os presos foram transferidos em um ônibus cedido pela Viação Garcia. O veículo seguiu do 2º para o 4º DP escoltado por duas viaturas da Polícia Militar, uma viatura da Polícia Civil, além de uma motocicleta da PM. Doze homens da Polícia Civil e nove da Militar participaram da operação, que começou por volta das 9h30 e terminou às 10h15.
O delegado do 4º DP, Joaquim Antonio de Melo, conta que a partir de agora o distrito só vai receber presos autuados em flagrante. A capacidade é para 24 detentos e ele conta que o objetivo do juiz corregedor Roberto do Valle é não superlotar o distrito. A reforma total do 4º DP levou dois meses e meio para ser concluída. O muro foi ampliado de 1,5 metro para três metros. Teto e grades foram reforçadas e o solário ganhou tela. Dá para dizer que o distrito é seguro, desde que não exceda o número de detentos, diz Melo.
Segundo o delegado do 2º DP, José Antonio Zuba de Oliva, falta pouca coisa para concluir a reforma, que ainda deve durar cerca de 40 dias. Na parte interna, as seis celas ainda serão lixadas, pintadas e as grades reforçadas. O delegado explica que não será preciso transferir os detentos para terminar os trabalhos, porque as celas serão reformadas aos poucos, sendo interditadas uma a uma. A laje do teto também ganhou reforço e passou a ter 20 centímetros de espessura.
Na parte externa, a reforma está quase concluída. Os muros foram erguidos de dois para quatro metros - há um local em que ele alcança seis metros. Além disso, a tela de proteção do muro e do solário será eletrificada, na tentativa de dificultar ainda mais a fuga de presos. Zuba de Oliva comenta que foi comprada uma máquina, normalmente usada em fazendas de gado. A corrente elétrica, conforme ele, é alternada e não oferece risco de morte. Mas a pessoa pode levar um grande susto.
O delegado procura justificar a instalação da tela elétrica: A lei nos manda usar de todos os meios possíveis para evitar a fuga. Zuba ressalta ainda que o uso do aparelho não é proibido, tanto que ele é encontrado no mercado. Placas no alto do muro avisam que a tela é elétrica. Também está sendo construído um canil com capacidade para receber quatro cães. Mas, por enquanto, a intenção da polícia é manter dois animais ajudando a fazer a vigia no 2º DP. De agora em diante, daqui do distrito o preso só sai com ordem do juiz ou em caso de corrupção, que a gente espera que não ocorra, diz Zuba.
Juntas, as reformas dos dois distritos custaram R$ 120 mil. Mas o problema da superlotação nos distritos - concordam as autoridades policiais - só deve ser resolvido com a Prisão Provisória, que está sendo construída no jardim Del Rey (zona sul).


