''Ei, o cheiro aqui é muito forte, fica até difícil dormir à noite''. Com as mãos segurando a grade, um dos presos do 5º Distrito Policial (DP) na Zona Norte de Londrina revela as dificuldades de permanecer noite e dia em um ambiente superlotado. E um agravante expõe de forma mais clara a precariedade do sistema carcerário da cidade. Como não há cela para todo mundo, cerca de 20 presos dividem o espaço de três corredores, sem banheiro e sem direito a chuveiro. Como vocês fazem as necessidades? Um dos presos não demora muito pra responder: ''a gente usa as vasilhas do marmitex''.
Mesmo com o lixo recolhido diariamente, o cheiro se propaga e continua até à noite, segundo eles. O delegado Airton Simplício dos Santos confirmou ontem que os detentos enfrentam essas condições, mas que, por enquanto, nada pode ser feito para resolver o problema. ''Temos aqui uma questão de grupos rivais. Se deixar a porta de uma cela aberta, haverá confronto com o pessoal do corredor. Aí, você já viu, eles se matam'', argumentou o delegado. O corredor já abrigou, segundo ele, mais de 30 presos.
Além das ''patentes improvisadas'', os presos do corredor não usam chuveiro a exemplo dos vizinhos de cela. Os banhos são tomados com ajuda de uma mangueira, que é acionada todo final de tarde. Num ambiente com essas características, e sem muita ventilação, os riscos de contrair uma doença ou infecção são grandes. ''A gente tem medo de pegar doença, aqui é úmido e não tem ventilação'', contou outro preso.
A superlotação do 5º DP, de acordo com o delegado, deve se arrastar até a inauguração do novo Centro de Detenção, provavelmente em março do próximo ano. ''O governo mostrou sensibilidade com a construção do local, mas a partir de agora, a situação pode ficar ainda mais grave. Primeiro porque eles sabem que o Centro de Detenção terá um forte sistema de segurança e de lá ninguém conseguirá escapar. E segundo porque está chegando o final do ano, época de maior registro de tentativas de fuga'', analisou Simplício.
O delegado disse que os policiais lotados no 5º DP terão que continuar a trabalhar sob riscos de rebelião e fugas em massa. Alguns investigadores admitem que não se arriscam mais durante revistas de rotina. ''Alguns entram outros não. O fato é que o policial corre risco de morte lá dentro. Você pode morrer lá dentro ou tomar uma estocada. A gente entra sempre em dois, no meio de 15 ou mais presos'', apontou o delegado. Simplício ressaltou a falta de policiais para cuidar de uma área tão grande o 5º DP atende uma população estimada de 170 mil habitantes.
Simplício admite ainda que a precariedade do prédio, com paredes velhas e sem estrutura necessária para abrigar tanta gente, pode facilitar as fugas a carceragem abriga atualmente 77 presos, contando os presos do corredor e das celas. A capacidade da cadeia é de 24 vagas. ''Nosso pessoal, aqui da Civil, é treinado para investigar os crimes e não para cuidar de presos. Além disso, o prédio não é apropriado para suportar tantos detentos'', afirmou. ''E a situação do corredor é a mais delicada''.
No sábado passado, 11 presos fugiram através de um buraco no teto da cozinha. Somente dois foram recapturados. ''Nós estamos fazendo o possível para impedir, mas resolver nessas condições o problema de fugas é uma utopia''.

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