Presos três sem-terra suspeitos de matar integrante do MST
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domingo, 10 de agosto de 2003
Das agências 
São Paulo - A polícia prendeu três integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) suspeitos de terem matado, uma semana atrás, o agricultor assentado Francisco Nascimento de Souza, 27 anos. As prisões ocorreram na noite de sexta-feira.
Após ouvir os três suspeitos, o delegado Roberto Penteado, de Cruzeiro do Oeste, disse estar centrando suas investigações em divergências entre os próprios sem-terra como motivo do assassinato, ocorrido em Mariluz (PR).
O delegado informou que os acusados são Laércio, Osmar e Valdir. Laércio e Osmar estavam acampados nas proximidades do assentamento Nossa Senhora Aparecida, onde vivia Souza. Valdir é um dos assentados no local.
Os oito tiros que mataram o agricultor assentado foram disparados de armas de calibres 380 e 765, os mesmos calibres das armas encontradas com os suspeitos. ''Não posso ainda afirmar que foram eles. São apenas suspeitos, eles negam a autoria'', afirmou o delegado.
O assassinato ocorreu em uma emboscada. A Comissão Pastoral da Terra e a ONG Terra de Direitos emitiram nota levantando suspeitas sobre fazendeiros. Na ocasião, entidades ruralistas da região negaram as acusações.
Presidente Epitácio, SP - O dirigente do MST no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, Wesley Mauch, negou o risco do movimento sofrer a infiltração de facções que defendem a luta armada, conforme a preocupação demonstrada pelo governo federal. Segundo ele, o MST definiu claramente seu grande objetivo, que é conseguir a reforma agrária no País pelos meios pacíficos. ''O objetivo do movimento não é guerrilha, mas sim a reforma agrária. A nossa luta é pela terra, mas de forma pacífica.'' Mauch comentou que o próprio governo tem anunciado que dispõe de policiais federais infiltrados no movimento. ''Se eles estiverem aqui, já terão identificado que a nossa prática é essa, de lutar pela terra sem armas.''
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, no entanto, disse que a preocupação da Polícia Federal e dos órgãos de inteligência do governo tem razão de ser. ''Sempre houve indícios de que o movimento dos sem-terra busca a luta armada.'' Ele lamenta que integrantes do governo, como o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não estejam fazendo distinção entre as ações dos militantes do MST e dos fazendeiros. ''É ridículo quanto ele diz que vai agir tanto contra os sem-terra como contra os fazendeiros. Quem prega a revolução não somos nós. Se existe algum fazendeiro armado, é por puro desespero, descrente da polícia na defesa de sua família e seus bens, mas não para tomar o poder.''


