Curitiba - Oito pessoas foram presas ontem na Operação Tarja Preta, realizada pela Superintendência Regional do Estado do Paraná da Polícia Federal (PF) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas pela internet. A quadrilha era, segundo a polícia, responsável pela venda e envio de psicotrópicos usados como entorpecentes para os Estados Unidos, Canadá e países da Europa.
Medicamentos controlados como o oxicontrim, derivado da morfina e conhecido como ''a heroína dos pobres'', eram desviados de farmácias de Curitiba e Região Metropolitana e encaminhados para o responsável pela quadrilha, que usava o nome falso de Luiz Alexandre Silvério. Segundo a PF, ele era o responsável por divulgar os produtos em fóruns de discussão na internet, negociar a venda dos medicamentos por e-mail e enviar pelos Correios os produtos aos compradores.
Os medicamentos eram escondidos em embalagens de vitaminas, caixas de bombons e cartões postais. O pagamento era feito por empresa privada responsável por movimentações financeiras.
Além do responsável pela venda dos produtos, foram presos intermediários e fornecedores dos medicamentos, que são proprietários, funcionários e farmacêuticos de uma distribuidora de remédios e quatro redes de farmácias. O chefe da regional sul da Coordenação de Operações Especiais de Fronteira, Wagner Mesquita de Oliveira, ressaltou, porém, que não há envolvimento das redes de farmácia no desvio. ''São apenas proprietários, funcionários e farmacêuticos das farmácias.''
De acordo com Oliveira, a quadrilha atuava desde 2003, mas as investigações começaram há três meses, a partir de um contato feito pela agência norte-americana antidrogas, Drug Enforcement Administration (DEA). Nos Estados Unidos foram apreendidos 450 compridos e dois receptadores, quando buscavam a mercadoria no correio. Na manhã de ontem, além da prisão das oito pessoas, foram apreendidos na casa do chefe do grupo R$ 22 mil em dinheiro, dois mil comprimidos, documentos falsos, receitas médicas e uma pistola.
As investigações da PF mostram que a quadrilha movimentava aproximadamente US$ 300 mil por ano com a venda dos medicamentos e eram realizados entre dois e três envios por semana. Oliveira conta que o traficante de Curitiba aumentou a venda dos produtos depois que uma quadrilha com atividade semelhante foi presa em 2004 no município de São José do Rio Preto, São Paulo.
A PF pretende agora investigar como funcionava a rede de desvio dos medicamentos. ''Queremos saber como os medicamentos eram desviados das farmácias e distribuidoras e como agiam os proprietários, funcionários e farmacêuticos.''

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