Presos trabalham na demolição de casas
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Sob olhar de um agente penitenciário, seis presos da Penitenciária de Londrina (PEL) condenados ao regime semi-aberto iniciaram na manhã de ontem a demolição de uma casa na Vila Nova, Área Central de Londrina. A atividade foi resultado de uma parceria entre o Departamento Penitenciário do Estado (Depen), a PEL e o projeto Onde Moras, que visa reaproveitar materiais de construção como tijolos, esquadrias e madeira para erguer novas casas.
Segundo o coordenador do projeto, Maurício Costa, a iniciativa de colocar os detentos para trabalhar partiu do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto Ferreira do Valle. Normalmente, quando o preso consegue a progressão da pena para o regime semi-aberto é encaminhado para as colônias penais de Curitiba ou Foz do Iaguaçu. ''Agora, eles passarão o dia no trabalho e à noite ficarão presos em um alojamento do lado de fora da PEL, que atende os condenados do regime semi-aberto'', explicou o juiz.
Os detentos aprovaram a iniciativa. ''É uma maneira melhor de retornar à sociedade, porque as pessoas ainda olham para gente com muita discriminação. Agora vou poder mostrar meu trabalho'', contou o preso Alex Miranda, de 26 anos. Ele ainda lembra que a possibilidade de ficar em Londrina é melhor, pois a maioria dos familiares dele mora em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). Assim como os outros cinco detentos, Miranda tem experiência na construção civil. ''Conquistamos este direito, agora é só aproveitar'', declarou.
Em retribuição ao trabalho realizado, os presos receberão 25% do salário mínimo, pagos pelos Estado, e a remissão da pena com o desconto de um dia para cada três trabalhados. ''O regime semi-aberto é de auto-disciplina. Então o detento sabe que se fugir e for pego de novo perderá o direito e ficará trancado. Acredito que em 10 meses, com a construção de novas casas outros 50 presos poderão fazer parte do projeto, mas aí serão remunerados pelo empregador'', explicou Valle. Contudo, a liberação de outros detentos depende da construção de um espaço para abrigar os presidiários em regime semi-aberto (ver box).
O coordenador do projeto agradece a ajuda. ''Geralmente, quem faz a demolição são os próprios beneficiados com a nova casa, mas agora eles poderão ficar na construção enquanto os presos coletam o material'', contou Costa. Todo o material da casa da Vila Nova será levado para outras moradias que estão em construção no Jardim União da Vitória, Zona Sul. As doações de materiais podem ser feitas pelo telefone (43) 9994-3868.
Em seis anos de existência do Onde Moras, 47 casas já foram construídas em sistema de mutirão em Londrina. O projeto também está sendo testado pelo governo federal e poderá ser implantado no país inteiro. ''Se a gente não pegasse o material, o entulho seria todo jogado nos fundos de vale'', explicou Costa. O coordenador afirma que com este sistema os valores de cada casa sai pela metade do preço.


