Os 240 presos da Casa de Custódia de Londrina (CCL) encerraram ontem à tarde a greve de fome iniciada na noite de segunda-feira. Na noite de terça-feira eles se envolveram em um princípio de rebelião e queimaram mais de 30 colchões e lençóis. O tumulto exigiu a presença do Pelotão de Choque que chegou na unidade penal por volta das 20 horas e se retirou às 23 horas, depois de fazer revista em todos os cubículos levando os presos para o pátio.
O protesto começou com as medidas de segurança adotadas pela administração da CCL – suspensão da sacola de alimentos levadas por familiares às quartas-feiras e corte de energia elétrica a partir das 23 horas. Ontem de manhã os presos ainda continuavam recusando alimentação. Diante da situação, o juiz corregedor Roberto do Valle determinou o corte de água. ‘‘Quem não está comendo, não precisa beber. Não existe motivo para esta greve, a alimentação da CCL é boa’’, afirmou.
À tarde, em nova negociação com a administração da CCL os presos aceitaram pôr fim à greve. O juiz recebeu a notícia enquanto atendia integrantes do Centro de Direitos Humanos (CDH). Segundo ele, a greve teria terminado com a concessão de um café reforçado às 22 horas. ‘‘Estão (os presos) brincando com coisa séria. Queimaram tudo (colchões), deram o prejuízo que deram para o Estado por causa de um café. Isto não é reivindicação’’, criticou.
Valle classificou o tumulto provocado pelos presos de ‘‘palhaçada’’. ‘‘Eles querem mostrar quem manda na CCL’’, afirmou. Segundo o diretor da unidade penal, major Edison Marcos Tomaz, a greve terminou com a prorrogação do fornecimento de energia até 1 hora.
A questão do café ainda estaria sendo avaliada. O corte de luz teria como objetivo evitar que aparelhos de som ficassem ligados em volume alto durante a madrugada encobrindo barulhos que pudessem denunciar tentativas de fuga. Há duas semanas quatro presos fugiram da CCL. O major acredita que a luz até 1 hora não irá comprometer a segurança da unidade penal.
O diretor disse que ainda não foi decidido se as visitas do final de semana serão suspensas. ‘‘Tudo vai depender do comportamento deles’’, observou. Ele contou que estão sendo estudadas as medidas disciplinares contra os presos que participaram da rebelião. ‘‘A punição depende da gravidade dos atos e pode variar entre a proibição de receber visitas até o isolamento’’, relatou o major.
Várias pessoas estiveram ontem nos portões da CCL procurando informações dos parentes. A artesã Rita Alencar, 64 anos, foi à procura de informações do neto, preso por furto. ‘‘Eu vim o mais rápido que pude para saber do meu neto. Mas aparentemente ele não participou da rebelião’’, disse. (Colaborou Telma Elorza)

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