Presos tentam fugir do 2º distrito
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Os oficiais de justiça que realizaram uma vistoria na carceragem do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina pareciam prever, no relatório apresentado ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, que a superlotação resultaria em uma tentativa de fuga. No final da tarde de domingo, a fuga não se concretizou porque um investigador escutou barulhos em uma das celas. A carceragem, que deveria abrigar 68 presos, estava com 202 ontem.
De acordo com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, os presos estavam removendo tijolos da parede da cela, quando o investigador ouviu o barulho. Após constatar que se tratava de uma tentativa de fuga, o policial entrou em contato com o delegado e com a Polícia Militar, que enviou a Tropa de Choque para auxiliar na ação.
André explicou que os detentos foram colocados no pátio, enquanto as celas eram vistoriadas. Os policiais não encontraram armas. ''Já avisamos da necessidade de se transferir detentos. Pelo menos 42 precisam ser removidos imediatamente'', ressaltou. A cela onde os tijolos estavam sendo retirados contava com 10 detentos.
Segundo o delegado, mesmo que os presos conseguissem cavar um buraco cujo tamanho permitisse deixar a cela, não conseguiriam fugir. Ele disse que atrás das paredes existe uma placa de metal para evitar fugas. Entretanto, no final de junho, 25 presos conseguiram fugir por um túnel.
O juiz Roberto do Valle disse que não foi informado oficialmente da tentativa de fuga no 2º DP. Ele adiantou que o fato não deverá influenciar em sua decisão de decretar ou não a interdição parcial da carceragem. Valle explicou que está analisando o relatório repassado pelos oficiais e o parecer do promotor da VEP, Francisco Soares Dias Filho, que se demonstrou favorável à interdição, além de outros documentos, para tomar uma decisão. O juiz deverá se pronunciar sobre o assunto até amanhã.
No caso de interdição, a carceragem não poderá mais receber presos, e uma grande parte terá que ser transferida. A principal opção é a Casa de Custódia de Londrina (CCL), mas sua direção e o próprio governo do Estado já se posicionaram contrários, alegando falta de espaço.


