Presos tentam fuga e destroem 5º DP
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domingo, 10 de agosto de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Paulo WolfgangPrejuízoAs celas recém-reformadas foram destruídas: juiz é contrário à nova reformaUma tentativa de fuga em massa ontem à tarde no 5º Distrito Policial, zona norte de Londrina, acabou em rebelião com três reféns bastante machucados e as celas, recém-reformadas, totalmente destruídas. Comandada por cinco presos, a rebelião começou pouco depois do meio-dia, no horário de almoço dos detentos. A confusão só foi controlada depois de quatro horas de negociação entre os líderes da rebelião, delegados locais e o juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídios, José Roberto do Vale.
Os cinco presos responsáveis pela confusão foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). O primeiro preso a ser levado foi Valdemir de Assis Oliveira, conhecido por Indinho. Julgado por assalto à mão armada e foi condenado ao regime semi-aberto e já deveria estar na Colônia Penal Agrícola, em Curitiba. A previsão é que ele seja transferido para a capital, ainda essa semana. Segundo o juiz corregedor, Indinho deve ir para a Colônia Penal juntamente com outros três ou quatro presos da PEL. Um ônibus deve vir buscá-los.
Paulo WolfgangViolênciaTrês reféns feridos foram levados para o hospital: medo da voltaA fuga dos presos foi frustrada, segundo o juiz corregedor, quando o policial responsável pela guarda interna do local percebeu a movimentação e atirou para o alto. Apesar da suspeita do tiro ter acertado um dos presos de raspão, ninguém foi atingido. Revoltados com a impossibilidade de sair, eles se rebelaram e começaram a destruir tudo. Os cadeados das grades foram arrebentados, barras de ferro inteiras foram retiradas, se transformando em armas, e as portas das seis celas foram arrancadas durante a confusão que durou pouco mais de uma hora. O pelotão de choque da Polícia Militar foi chamado. Fortemente armados, os PMs ainda tinham um cão adestrado para ajudar no trabalho. Na rua em frente o distrito, viaturas da PM bloqueavam a passagem.
TransferênciaLíderes da rebelião foram transferidos para a PEL: condenadosLogo que o juiz corregedor chegou, os presos se recusaram a falar. Os estoques e outras armas improvisadas por eles foram jogadas fora das celas e eles ficaram em absoluto silêncio, entregando cartas ao juiz. Nas cartas nenhuma reivindicação, apenas a lista dos detidos no local, os crimes cometidos e a situação de cada um deles. Eles não fizeram nenhuma reivindicação. Queriam fugir em massa, afirma Roberto do Vale.
Com a ida dos cinco condenados para a PEL, o 5º DP fica agora com 53 presos, mais que o dobro da capacidade do lugar que é de 24 detentos. A maioria estava detida no 4º DP (zona sul) e foi transferida para o 5º DP há menos de um mês, depois de um rebelião no local por melhores condições. O 5º DP havia acabado de passar por uma reforma geral - parte elétrica, hidráulica, sistema de ventilação e reforço das celas e dos muros externos.
Se depender de mim não vamos reformar de novo, disse o juiz, sem explicar os motivos. Foi tudo destruído, mas não temos para onde mandá-los. Eles vão ficar aqui, sem celas. Desde o final da tarde de ontem, apenas a grade e a porta de ferro do corredor de acesso às celas seguram os presos do 5º DP. Para garantir a segurança no local, Roberto do Vale afirma que a guarda externa do 5º DP, será dobrada. Questionado sobre quantos homens faziam a guarda até então, o juiz respondeu zero, não existia. Sem dizer quantos, Roberto do Vale afirmou que uma equipe da PM acompanhada de cães adestrados fará a segurança externa do 5º DP. Controlar 219 presos nos distritos onde cabiam 72 - porque agora cabem menos ainda - fica muito complicado. O jeito é esperar fevereiro, quando a Cadeia deve estar pronta.


