Reformadas, as celas e corredores da carceragem da delegacia de Bela Vista do Paraíso também fazem as vezes de ''oficinas de artesanato''. Ali, os detentos produzem grande variedade de objetos utilitários e decorativos. A matéria-prima vem de doações externas. Redes de pesca, arreios para cavalos, flores de papel e porta-retratos são algumas amostras da criatividade dos presos, que aprenderam as técnicas com a prática.
''Logo na primeira semana em que cheguei aqui procurei aprender alguma coisa. Agora passo o conhecimento para todo esse pessoal'', relata o detento Sérgio Dias, 40 anos, há um preso por homicídio. Apesar de ser um dos mais habilidosos artesãos da cadeia, Dias afirma que só exercerá a atividade enquanto estiver preso. ''Quando sair daqui, vou tentar ser agricultor'', adianta. É justamente a vocação agrícola da região que garante as boas vendas das rédeas, cabrestos e laços de boi produzidos pelo artesão provisório.
Os produtos são comercializados entre os parentes dos presos ou encaminhados para a feira noturna da cidade, realizada às quartas-feiras. A renda fica com os próprios detentos. ''Um buquê de flores como esse eu vendo por R$ 3,00. Estamos preparando mais para o Dia de Finados'', explica Marcelo Francisco de Paula, 27, preso há sete meses por assalto à mão armada. Acostumado a trabalhos braçais, o ex-pedreiro aprendeu a confeccionar as flores de papel crepom com o irmão, que deixou a cadeia 15 dias atrás.
Já o detento Jorge Marcos Vieira, 18 anos, descobriu com colegas, fora da prisão, como fazer cestas de papel sulfite. ''Eu sabia como fazer mas não tinha paciência. Aqui dentro eu tenho'', garante. Detido por porte de drogas, Vieira conta que hoje é orgulho para a família. ''Minha mãe vê que estou tentando mudar de vida, elogia o que faço'', completa. Como recompensa ao apoio, o destino de vários objetos é a casa da família, para onde o rapaz anseia retornar.

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