Parada na esquina da Rua Eloá, no Jardim Pindorama, Zona Leste de Londrina, a dona de casa Marília da Silva olhava desolada para um ponto de ônibus da Rua Santa Rosa, na manhã de ontem: foi ali que mais um ônibus do transporte coletivo da cidade foi incendiado, por volta das 23h30 de anteontem, menos de 24 horas do primeiro atentado que destruiu um ônibus da empresa Londrisul, na madrugada. Ontem à tarde, cerca de 130 policiais civis e militares fizeram uma grande operação no Jardim União da Vitória, e prenderam oito suspeitos de participação nas ações.
A operação foi deflagrada por volta das 16 horas, após a polícia ter recebido uma denúncia anônima de que autores dos atentados seriam do Jardim União da Vitória, localizado na Zona Sul. Partiparam da operação policiais civis, militares de Londrina, além de equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que vieram de Curitiba.
Os policiais cercaram o bairro e, com mandados de busca e apreensão, revistaram moradores e casas. Ônibus do transporte coletivo também foram parados na entrada do bairro e os passageiros foram revistados.
O delegado-chefe da 10Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Barroso, informou que pelo menos três suspeitos ficarão detidos. Um deles é morador do União da Vitória e apontado pela polícia como mandante dos atentados. Na casa dele foram encontrados um revólver, uma metralhadora, além de crack e maconha. O delegado informou que ele veio de São Paulo, onde possui passagem por roubo a banco.
Na casa do suspeito também foram encontradas cartas que a polícia está analisando. O delegado se limitou a dizer que as cartas têm ligação com presos do CDR. Ele nega a participação em algum grupo criminoso. Ainda de acordo com Barroso, o suspeito foi visto por moradores dando tiros com a metralhadora para comemorar o incêndio do primeiro veículo, na Zona Sul.
O segundo suspeito, segundo Barroso, foi reconhecido por vítimas de um dos atentados, como um dos que atearam fogo no ônibus. Um adolescente, cuja idade não havia sido divulgado ontem à noite, foi apreendido com um celular. No aparelho havia a gravação dele dentro de um ônibus cantando um rap sobre incêndio no veículo. Até o fechamento da edição, os suspeitos ainda estavam sendo interrogados e a polícia contabilizava o material apreendido. As investigações continuam. (Colaborou Mariana Guerin)

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