Treze sem-terra foram presos ontem de manhã em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama) durante a desocupação da Fazenda Santa Gertrudes, que estava ocupada por cerca de 350 famílias há 20 dias. Do total, sete foram autuados.
Segundo a Polícia Militar, a operação foi tranquila e envolveu 450 homens, incluindo soldados da Companhia de Choque de Curitiba. A PM chegou ao local por volta das 5 horas e, de acordo com o comando, não houve reação. Pelo hospital de Mariluz passou apenas um sem-terra com um arranhão na perna.
‘‘Nenhum tiro foi disparado’’, disse à Folha, por telefone, o comandante do 11º Batalhão da PM de Campo Mourão, tenente-coronel Darci Dalmas. ‘‘Foi uma das retiradas de sem-terra mais calmas do Estado’’, completou.
Segundo ele, os sem-terra acataram todas as ordens da PM e só foi preso quem estava portando armas. A polícia apreendeu sete armas de fogo - duas espingardas, revólveres e pistolas -, 83 facas e facões, além de sete motosserras e três carros.
A operação da polícia surpreendeu, uma vez que a fazenda foi invadida há menos de um mês. Mesmo em Mariluz, existe uma propriedade invadida há mais tempo. A Fazenda São Luiz, de 2,3 mil alqueires, está ocupada desde março por cerca de 400 famílias.
Já a Fazenda Santa Gertrudes, de 2.658 hectares, foi invadida pelos sem-terra no dia 20 de junho. A liminar de reintegração de posse saiu três dias depois. O dono da área, Alfredo Winner Nyffeler, diz que a fazenda é produtiva e possui três mil cabeças de gado.
O delegado de polícia de Goioerê, Osmar Dechiche, que foi designado para acompanhar o caso, disse ontem que os sete sem-terra foram autuados por porte ilegal de armas. ‘‘Não foi caracterizada formação de quadrilha porque eles não visavam mais de um crime’’, explica.
Apesar da prisão em flagrante, cada um deles pagou fiança de R$ 50,00 ontem mesmo e foram soltos. ‘‘Nenhum possui antecedentes criminais no Estado do Paranᒒ, confirmou o delegado.
A polícia usou 15 ônibus para mandar os invasores de volta às suas cidades de origem. A maioria dos sem-terra é das regiões Oeste e Sudoeste do Estado e da própria região de Mariluz, além de vários brasiguaios. ‘‘Eles foram a Mariluz mediante a promessa de que receberiam terra’’, contou Dalmas.
O comandante da PM negou denúncias de que tenha havido tiroteio ou mesmo queima dos barracos tanto por parte da polícia quanto dos sem-terra.
Segundo o comandante, o único fogo existente no local foi feito depois das 11 horas por funcionários da fazenda, que queimaram o que sobrou dos barracos. Durante a operação, no entanto, a PM fechou as estradas de acesso à fazenda e ninguém pôde se aproximar do local. Até ontem à tarde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Curitiba, não havia conseguido manter contato com os sem-terra que estavam na área.Marcos NegriniLimpezaTrabalhadores
da Fazenda
Santa
Gertrudes
limpam
área e
queimam
objetos
deixados
pelos
sem-terraPolícia mobilizou 450 soldados na retirada de cerca de 350 famílias da Fazenda Santa Gertrudes; 7 dos presos foram autuados

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