Presos se rebelam na Prisão Provisória
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
Foi registrada ontem a primeira grande rebelião na Prisão Provisória de Londrina desde sua inauguração, em agosto do ano passado. A rebelião teve início pela manhã e durou cerca de cinco horas. Na noite anterior, os presos já haviam iniciado um barulhaço, gritando e batendo objetos nas grades das celas.
Josoé de CarvalhoAngústiaParentes de presos esperam notícias do lado de fora da prisãoA situação começou a ficar crítica por volta das 8 horas, quando seis presos considerados de confiança foram feitos reféns. Dois deles ficaram levemente feridos com um estoque (punhal feito artesanalmente). Eles foram medicados no Hospital Evangélico de Londrina (HEL) e liberados.
Segundo o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Sílvio José Mazalotti, o principal motivo da rebelião está relacionado a visitas de familiares dos presos. Mazalotti informou que eles reclamam que o local e o tempo destinado para visita íntima - 20 minutos - são inadequados.
Ontem era dia de visita na Prisão e o clima ficou ainda mais tenso devido à presença de familiares dos presos. Do lado de fora, eles gritavam, choravam e, bastante nervosos, batiam e davam pontapés no portão de entrada. A imprensa não teve acesso ao interior da Prisão.
Josoé de CarvalhoVersão oficialO comandante Mazalotti e o delegado Fernandes: primeira rebeliãoSegundo a Folha apurou junto a diversos policiais, as celas da ala B foram parcialmente destruídas e os presos chegaram até o fim do corredor com a intenção de fugir.
Logo pela manhã, o diretor da Prisão Provisória, delegado Eurico Hummig, e o subdiretor, investigador Carlos Nadalin, tentaram contornar o problema mas não conseguiram. Eles chegaram a telefonar para o juiz Corregedor dos Presídios e da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, que se negou a ir até a Prisão, alegando falta de segurança no local.
Mario CesarArmasEstoques utilizados pelos detentos durante a rebeliãoPor volta das 11 horas, chegaram 40 homens do pelotão de choque da PM com dois cães da raça pastor alemão. Minutos depois duas guarnições do Corpo de Bombeiros com dois carros-pipa estacionavam no local. As viaturas não foram usadas, mas ficaram por cerca de duas horas paradas em frente ao portão.
Na ocasião, o juiz Roberto do Valle foi novamente chamado por telefone para dar permissão ao pelotão de choque invadir as celas onde estavam os amotinados. O juiz não deu autorização e propôs que a direção continuasse o diálogo com os presos até alcançar uma solução pacífica. A rebelião só terminou por volta das 13h30 com a presença do comandante do 5º BPM, tenente-coronel Silvio Mazalotti e do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes.
Mario CesarSaídaApós a negociação, nove presos foram transferidos para a PELOs dois conversaram por uma hora com os 10 líderes da rebelião. Mazalotti e Wanderci prometeram mudar o sistema de visitas e arrumar um lugar melhor para as visitas íntimas dos presos.
As mulheres de presos que estavam em frente à penitenciária também reclamaram do local e da duração das visitas íntimas. Fico nervosa quando estou com meu marido, pois se demorar um pouco os agentes de segurança invadem o quarto e a gente passa a maior vergonha, contou Maria das Neves. Familiares reclamaram também da comida servida durante a semana aos presos e da cobrança de R$ 10,00 daqueles que quiserem melhorar a alimentação aos domingos, incluindo um frango assado e dois litros de refrigerante.
Eles alegam que a comida vinda de fora pode entrar nas celas com drogas. No entanto, durante as visitas, somos revistados completamente, e a droga continua a andar solta lá dentro (da prisão). Tem que existir também uma investigação para descobrir quem está passando esta droga aos presos, questionou Carlos Eduardo Noten, que tem um familiar preso.
Uma das denúncias de familiares é sobre o desaparecimento de utensílios de cozinha e copa do refeitório, que são usados para a fabricação de estoques. Meu primo anda apavorado com a quantidade de armas que existe no interior das celas. Quem possui um punhal fica dono da situação e faz os outros presos de escravo, garantiu um familiar que não quis se identificar.
Ontem, no final da tarde, nove presos - todos já condenados - foram transferidos para a Penitenciária Estadual, instalada ao lado da Prisão Provisória. Com isso, a lotação que era de 198 presos caiu para 189. A capacidade da Prisão é para 144 presos.


