Curitiba - Princípio de rebelião na Delegacia de Telêmaco Borba (128 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), na madrugada de ontem, deixou três alas da parte nova do prédio parcialmente destruídas. Os 44 detentos saíram das celas, depois de quebrar os cadeados, mas não conseguiram passar pelas portas de aço que isolam a carceragem do restante das instalações.
O motim, que começou por volta da zero hora, só foi controlado às 9 horas da manhã, depois que 15 policiais do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar de Ponta Grossa invadiram a delegacia. Na revista, foram encontrados estoques e outras armas de fabricação caseira. Alguns presos tiveram apenas ferimentos leves.
O delegado-adjunto de Telêmaco Borba, Hélio Nunes Pires, relatou que a confusão começou logo depois que as luzes da delegacia foram apagadas (o que faz parte de norma interna). Os presos passaram a gritar e bater as grades e, em seguida, atearam fogo nos colchões. Os seis policiais do plantão chamaram reforço e ficaram durante toda a madrugada vigiando a delegacia pelo lado de fora até a chegada da PM na manhã de ontem.
Pires atribuiu o motim a conflitos entre os próprios presos. A superlotação –que normalmente é o principal motivo das rebeliões em outros municípios–, para ele, não se justifica em Telêmaco Borba. Segundo o delegado, os 44 internos ficam distribuídos em 16 celas que têm capacidade para 64, e dispõem de infra-estrutura adequada de banheiros e solário.
De acordo com Pires, este é o segundo conflito registrado na delegacia este ano. Há cerca de duas semanas, alguns internos conseguiram sair da cela e espancaram Sebastião dos Santos, que estava numa ala onde ficam os presos ameaçados. Ele acabou morrendo no último final de semana.

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