Curitiba Presos da Delegacia de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) fizeram uma rebelião na manhã de ontem para exigir transferência para outras unidades. Na hora do motim, segundo informações da Polícia Civil, na carceragem com capacidade para 16 detidos havia 65. Destes, 32 se rebelaram. Foi danificada a estrutura de uma galeria, cujas grades foram arrancadas. Todos os presos que participaram da rebelião foram transferidos.
''No local, os presos abriram um buraco para fugir. Não conseguiram porque havia uma proteção em volta da carceragem. Isso deve ter irritado os detidos'', comentou o delegado Gerson Machado. ''A rebelião teve início por volta das 9h30. Um policial entrou na carceragem para fazer a chamada dos presos e foi rendido. Os detidos chegaram a bater nele e roubaram R$ 850 que ele tinha no bolso''.
Após negociação, que envolveu policiais do grupo Tigre, os presos libertaram o refém, que não havia sido ferido com gravidade. ''Os detidos devolveram R$ 510 do dinheiro que haviam tomado do policial. O resto, engoliram. As famílias dos presos irão restituir este valor'', afirmou Machado.
Dos presos transferidos, segundo o delegado, 20 foram para o Centro de Triagem, em Piraquara, e 12 para outras delegacias da região. Parentes dos presos que foram até a delegacia não quiseram falar com a imprensa. Alguns chegaram a ameaçar fotógrafos e cinegrafistas. Muitos familiares choraram e gritaram no momento em que os detidos foram retirados da delegacia.
''O que é necessário dizer é que nós, policiais civis, estamos desviados de nossa função. Perdemos tempo cuidando de presos ao invés de investigar crimes'', disse o delegado. No final de março, houve rebelião na Delegacia de Pinhais. Na ocasião, segundo Machado, havia 98 presos na carceragem.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou em nota oficial que o governo está tomando várias medidas para aliviar a superlotação nas delegacias do Paraná, como investimentos de R$ 12 milhões para construção, ampliação e reformas de distritos policiais, locação de celas móveis, renovação de um convênio com a Ordem dos Advogados do Brasil para revisão da situação processual de presos e construção de quatro novos presídios.

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