Curitiba Dois presos morreram a golpes de marreta e pá e três agentes penitenciários ficaram reféns em uma rebelião organizada, ontem, por 21 detentos que ocupavam a sétima galeria da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), considerada de segurança máxima. A maioria dos 21 presos é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa surgida no final dos anos 90 nos presídios de São Paulo. A rebelião começou às 9h30 e não havia acabado até o fechamento desta edição. Um dos reféns foi liberado no final da tarde, sinalizando para uma negociação e fim da rebelião.
O motivo da rebelião ainda é incerto. O secretário de Estado da Justiça, Aldo Parzianello, informou que os motivos da rebelião e as exigências dos presos não seriam divulgados até o fim da revolta. ''Só posso adiantar que não é nada relacionado às condições da cadeia, como comida ou maus tratos''.
Informações extra-oficias vindas do presídio davam conta que os presos pediam transferências para outros presídios porque vinham sofrendo espancamentos. Porém a presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná (Sinspp), Sandra Duarte, acredita que o motivo tenha sido outro. ''Apesar de denunciarmos constantemente a existência de tortura nos presídios terceirizados (caso da PEP), acredito que os pedidos de transferência tenham sido feitos porque o PCC não estaria conseguindo aumentar sua força no presídio devido ao fato de estarem em celas individuais. Em outro presídio eles teriam mais chance de exercer sua influência'', afirmou.
Segundo informações da Secretaria de Justiça, a rebelião começou no momento em que os presos da sétima galeria estavam sendo liberados por três carcereiros para tomar sol. Um dos detentos, desarmado, teria subjugado um dos funcionários, ameaçando matá-lo caso os outros dois esboçassem reação. Atendendo ao pedido do prisioneiro, que não teve o nome revelado, os funcionários abriram as outras cela da galeria. Um grupo de presos aproveitou a situação para tomar posse de uma marreta e de uma pá deixadas por funcionários da manutenção para matar Maikon Júlio dos Santos, de 22 anos, e Saneo Aparecido Santos, de 27 anos, que cumpriam pena por latrocínio, por motivos ainda ignorados.
Segundo Sandra Duarte, Saneo dos Santos já havia sofrido ameaças. O preso teria feito parte do PCC, mas teria rompido com a organização e estaria delatando ex-companheiros. ''Os agentes penitenciários disseram que ele havia pedido transferência e chegou inclusive a cortar os pulsos, no início da semana. É estranho que a direção da PEP tenha decidido tratá-lo na unidade e devolvê-lo à mesma cela'', afirmou.
Segundo informações dos funcionários da PEP, Maikon estaria envolvido na morte do deputado estadual Tiago Amorim, ocorrida em dezembro de 2001. ''Pode ter sido uma queima de arquivo encomendada de fora do presídio, coisa que o PCC costuma fazer'', acreditava Sandra.

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