Presos se rebelam e fazem sete reféns
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
Dois presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) mantiveram sete pessoas como reféns por duas horas e meia. Armados de estoques (punhais artesanais), os detentos Valdecir Vitorino e Alex Alexandre Lenis ameaçavam sete professores (dois homens e cinco mulheres) que davam aulas para 67 presos da penitenciária. O motim aconteceu ontem, pela manhã.
Paulo WolfgangSoluçãoDetentos que se rebelaram foram transferidos ontem para MaringáValdecir e Alex possuem, juntos, mais de 30 anos de condenação por roubos. Alex é foragido da Colônia Penal do Paraná, localizada em Curitiba. Os amotinados trancaram os professores na sala enquanto os outros presos saíram correndo para fora. Os agentes de segurança estavam no corredor, sem arma, quando ocorreu a confusão. Os dois presos usaram primeiramente como armas um estilete de espelho de vidro que haviam trazido das celas. Na sala de aula, destruíram uma cadeira e um armário e com os ferros fizeram os estoques.
A professora e supervisora dos cursos da PEL, Regina Vieira, começou a gritar e foi ferida levemente no pescoço. Valdecir e Alex alegaram que se revoltaram porque estavam sendo maltratados e diziam que tinham direito de ir para a Colônia Penal em Curitiba cumprir pena em regime semi-aberto. Caso eles não fossem atendidos, diziam que preferiam ficar na Penitenciária Estadual de Piraquara.
Paulo WolfgangLiberdadeA professora Neide Álvares: refémApós negociação, aceitaram transferência para a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM). Mas para libertarem os reféns, também exigiram a presença de uma equipe de reportagem de televisão e do juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedor, Roberto do Valle. As negociações se iniciaram por volta das 9h30 e terminaram ao meio-dia. Roberto do Valle disse que eles não tinham direito a nenhum benefício, como cumprir pena em regime semi-aberto.
Os dois presos foram levados para Maringá em uma kombi escoltada por uma viatura do pelotão de choque do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina. Para chegar até o veículo, levaram dois professores como reféns sob a ameaça dos estoques. Ao entrar no veículo, Valdecir e Alex jogaram as armas no chão e em seguida libertaram os professores. O embarque foi acompanhado por agentes de segurança, pelo juiz Roberto do Valle e pelo diretor do Departamento Penitenciário, Cezinando Paredes, que se encontrava na cidade.
O motim trouxe a Londrina o secretário interino de Justiça e Cidadania, Sílvio Carlos Cavaganari, que chegou uma hora depois que a confusão terminou. O titular da secretaria, José Tavares, está em Buenos Aires participando de um encontro de países sul-americanos sobre o sistema prisional no continente. Sílvio Carlos, logo ao desembarcar no aeroporto, disse que tinha sido informado por telefone e que o motim foi gerado por apenas dois presos, possivelmente porque estavam com problema de relacionamento com os outros companheiros. Posso garantir que o motivo da revolta dos presos não é por eles serem maltratados.
Os professores usados como reféns Maurício Fedato e Neide Álvares disseram que ouviram os presos se queixar de maus-tratos. Eles contaram que os amotinados disseram que nada tinham contra os professores e chegaram pedir desculpas pelo que estavam fazendo.


