j. Pedro



EM CIMA DO MUROPoliciais tiveram que subir no muro que dá acesso ao pátio onde os detentos tomam sol para negociar com rebelados; viaturas cercaram distrito policialOs 75 presos do 3º Distrito Policial de Londrina, localizado no Jardim Bandeirantes (zona oeste), se rebelaram ontem à tarde. Eles destruíram os cadeados e as celas e conseguiram chegar ao pátio onde tomam banho de sol. Os presos haviam tentado fuga na última sexta-feira. Eles reclamam da superlotação e da insalubridade. Mas o motivo maior da revolta teria sido o espancamento sofrido pelos presos, depois de uma revista feita pelo grupo de choque do 5º Batalhão da Policia Militar (BPM), na última sexta-feira.
Os PMs foram afastados de suas funções pelo comandante Marino Ari Burille depois que foram mostradas imagens pela televisão CNT, em que os policiais formaram o chamado ‘‘corredor polonês’’ e espancaram os presos com cacetete.
Pelo menos dez viaturas da PM cercaram as ruas em volta do distrito. Para agilizar as negociações no início da rebelião, os líderes ameaçavam matar os próprios detentos e pediam a presença do juiz corregedor dos presídios, Roberto Ferreira do Valle, que até às 16h30 não havia sido chamado pela Polícia. Valle já interditou o 5º DP em março deste ano e ameaçava fechar outros distritos caso o governo do Estado não tomasse providências. O juiz foi impedido de dar continuidade às ações através de uma liminar concedida ao Estado.
A PM tentou controlar a ação dos rebelados usando bombas de gás lacrimogênio. A imprensa foi impedida de ter acesso ao local. As negociações foram feitas pelo delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, que precisou usar uma escada para chegar ao muro de acesso ao solário. Ele estava acompanhado de policiais da tropa de choque do 5º BPM.
Do lado de fora ouvia-se os gritos de presos pedindo a entrada dos repórteres. No início, o delegado teve dificuldade de ouvir as reivindicações dos detentos, que falavam todos ao mesmo tempo e pediam transferência para outros distritos. O delegado confirmou que iria atender à reivindicação, até porque as celas ficaram todas destruídas. A delegacia tem capacidade para 24 presos, mas está com 51 a mais.
Até o fechamento desta edição as negociações, intermediadas também pelo repórter da Folha Paulo Ubiratan, não haviam sido encerradas. O clima na delegacia era de tensão e aguardava-se a chegada do juiz corregedor. Muitos familiares esperavam informações sobre os presos. Aflitos, mães e parentes choravam com a falta de notícias. A Polícia informou que não havia feridos.
Curiosos e moradores da região também se aglomeraram em frente à delegacia, mas a PM afastou todas as pessoas da área. Um caminhão do Corpo de Bombeiros ficou de prontidão para atender qualquer emergência. A informação era de que os presos tinham apenas barras de ferro.
Em fevereiro, 44 presos conseguiram fugir do 3º DP. Apenas 11 se entregaram ou foram recapturados. A fuga do distrito foi facilitada por um ‘preso de confiança’’, que tinha funções de carcereiro, com a permissão do delegado José Carlos Bassalobre. O delegado foi afastado da função.

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