Presos se rebelam e conseguem transferência
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quarta-feira, 30 de março de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os presos da Delegacia de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, que começaram uma greve de fome na segunda-feira para exigir uma solução para a superlotação, se rebelaram, por volta de 4 horas da madrugada de ontem. Eles quebraram as portas das celas e durante seis horas mantiveram sete adolescentes, que estavam detidos na unidade, como reféns. Os adolescentes só foram liberados depois que os presos tiveram sua exigência atendida para que, pelo menos, 34 internos fossem transferidos. Outros três detentos foram liberados na tarde de ontem, com alvará de soltura expedido pela Justiça.
Segundo o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marco Antonio de Goes Alves, por volta das 4 horas os presos quebraram as portas das celas e tomaram conta de todo espaço na área reservada aos detentos. A delegacia tem quatro celas, todas elas lotadas. Os corredores também estavam fechados para abrigar os presos. Cerca de 50 policiais civis e militares foram acionados para ajudar no controle da rebelião.
Mesmo com o fim da rebelião, o impasse continuava do lado de fora da cadeia. Dos 34 presos retirados da delegacia, apenas 15 tinham vaga garantida no Centro de Triagem de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Dois deles, que estavam doentes, foram para o Complexo Médico Penal (CPM) e outros 17 aguardavam no Centro de Triagem uma definição sobre onde iriam. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, eles serão distribuídos entre delegacias de outros municípios da Região Metropolitana.
A tensão também era grande entre os familiares dos presos, que durante toda a manhã não conseguiam obter notícias. Nem os policiais sabiam informar o nome dos presos transferidos. A única forma de comunicação entre os presos e seus parentes era gritar por entre as grades. Foi assim que o preso Anderson Pereira dos Santos, 26 anos, conseguiu falar com sua mãe. ''Mãe, eu estou no caminhão para ser transferido. Não se preocupe, vai ser melhor'', dizia, apesar de não saber ainda para onde seria levado.
Outros parentes não tiveram a mesma sorte. ''Eu queria saber como é que está o meu guri. Quando a gente liga para cá eles só dizem que está tudo bem'', dizia Cláudia, mãe de um rapaz de 17 anos, apreendido há 23 dias na delegacia, acusado de tráfico de drogas. Ela ficou sabendo da rebelião por meio de uma vizinha, que ouviu a notícia no rádio e contou que o filho estava como refém dos presos.
Ivone Caran, mãe de Luiz Henrique Caran, 19 anos, preso por porte ilegal de arma, também não conseguiu notícias do filho. De acordo com ela, nas visitas o filho não reclamava das condições do local. ''Acho que ele queria esconder para a gente não sofrer, mas eu via que eles ficavam todos juntos, tinha pouco espaço'', disse.


