Ter uma família ou um relacionamento afetivo fora do presídio aumenta a vontade de cumprir a pena o mais rápido possível e sair às ruas com planos de uma vida nova. Para os internos da Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, quem dá a força para aguentar o dia-a-dia e apoio depois da liberdade é a mulher ou a namorada.
No domingo, dia de visitas, elas começam a chegar às 5 horas. As senhas são distribuídas a partir das 6 horas. Há fila para entrar, quando o acesso é liberado, às 7 horas. O pátio fica cheio até as 16 horas - horário de encerramento. O presídio tem 800 internos. As visitas chegam a 700 por domingo, das quais 150 íntimas.
‘‘A mulher continua com o homem, mesmo depois de preso, por ser mais afetiva, ter instinto maternal e por causa dos filhos’’, diz a psicóloga Zilcar de Jesus Barbiere, que trabalha na prisão.
Na Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, os domingos são diferentes. Das 9h às 16 horas, o número de pessoas que chegam para visitar as internas não passa de 40 - nenhuma íntima. A justificativa é que cerca de 70% das detentas (105) são do interior do Estado, principalmente do Norte.
A comunicação com os familiares é feita através de cartas e telefonemas. A penitenciária permite que se faça uma ligação por semana, de no máximo três minutos. A família das internas quase sempre quer dizer mãe ou filhos. Marido ou namorado, a maioria não tem. ‘‘Quando a mulher é presa, o homem a abandona e até arranja outra. Isso se ele também não estiver na prisão’’, diz a diretora do Presídio Feminino, Elizabeth Pereira Bettega.
A assistente social Marciana da Cunha Bastos diz que as mulheres são muito usadas. ‘‘Elas são mais submissas e eles se aproveitam da situação. Eles não pedem para as mulheres, eles mandam.’’ Cerca de 65% das internas (98) foram presas por tráfico de drogas. Em muitos casos, o marido ou a família as envolveu no crime.
Não é à toa que as internas consideram os filhos mais importantes que os companheiros.

mockup