Presos são transferidos para o 4º DP
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Da Redação 
César AugustoCelas cheiasPresos mudam de distrito: remoção ocorre para permitir reformasOs 62 presos que estavam no 3º Distrito Policial (zona oeste) foram transferidos ontem à tarde, em um ônibus do 5º Batalhão da Polícia Militar, para o 4º DP (zona sul). Sob forte esquema de segurança, envolvendo 15 policiais do Grupo de Choque do 5º BPM, foram necessárias duas viagens para transportá-los. A remoção ocorreu tranquilamente. A transferência serviu para esvaziar as celas e dar início às reformas internas do 3º DP, já que as externas estão prontas. As reformas do 4º DP foram concluídas na última terça-feira.
Apesar das melhores condições de segurança após as obras, o problema de superlotação continuou nos DPs. No 4º DP existem seis celas para abrigar 24 presos. Os 62 presos dobram a superlotação. A polícia tem consciência que isso vai criar problemas aumentar as chances de rebelião e fugas. Segundo o delegado Joaquim Antônio Melo, em cada cela - onde cabem quatro presos - foram colocadas 10 pessoas.
Entre os presos, existia um sentimento de revolta pela situação desumana dentro das celas. Eles reivindicam a atuação da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, da Pastoral Carcerária e de entidades religiosas.
Segundo os presos, muitos deles estão mofando nas celas por não ter dinheiro para pagar advogado. Um rapaz está preso há 15 dias porque furtou cinco metros de fio de cobre. Ele foi autuado em flagrante; bastava um advogado para relaxar sua prisão. O preso é primário e trabalhava quando cometeu o furto.
Ontem, a superlotação dos 2º e 5º DPs era caótica. Os dois distritos, juntos, estavam com 194% de presos acima de sua capacidade total. O delegado adjunto da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes, confirmou que a situação nos DPs é preocupante, apesar da segurança ter sido reforçada com as reformas.
Somente a Cadeia Pública e a Prisão Provisória vão resolver os problemas de carceragem de Londrina. O que se tenta fazer é minimizar os problemas nos distritos lotados de presos.
Entre os policiais - que são obrigados a fazer o trabalho de carcereiros - criou-se a neurose da fuga. Dois delegados de distritos chegaram a pedir licença stress, como consequência da rotina em seus distritos.
O delegado do 3º DP, Jurandir Gonçalves André, é o único responsável por DP que nunca teve que enfrentar uma fuga de presos. A receita para manter presos disciplinados e sem cabeça para fugir é simples. A gente (a polícia) tem que acompanhar diariamente a situação de segurança das celas e atendê-los nos seus direitos fundamentais. Por outro lado, exigir que eles também cumpram com seus deveres, garantiu. Jurandir afirmou que é totalmente contra bater em presos.
Ele garante que aprendeu a lidar com os encarcerados observando o trabalho do delegado João Antônio Neves, hoje aposentado. Ele foi um excelente delegado em Londrina. Sem truculência, era respeitado até pelo pior bandido. O seu sucesso era respeitar o ser humano na sua integridade.
(Paulo Ubiratan)


