Dezoito presos foram transferidos das carceragens de Londrina, na manhã de ontem, para o regime semi-aberto em Curitiba. A maior parte deles 13 estava abrigada provisoriamente na Casa de Custódia de Londrina (CCL), na Zona Sul. Outros três deixaram a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), também na Zona Sul, e mais dois foram removidos de distritos policiais (DPs).
A medida deve ter pequeno impacto diante do quadro de superlotação das carceragens londrinenses. São quase três mil detentos espremidos em um sistema com apenas 942 vagas. Na última sexta-feira, a situação levou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, a proibir a entrada de presos no 2º DP. Hoje, 25 presos do DP serão removidos para a CCL. Restaram, para presos do sexo masculino, as carceragens do 4º DP (32 vagas) e do 5º DP (24).
De acordo com um dos delegados do 5º DP, Fátimo Siqueira, a determinação é que o 2º DP só seria liberado para novos presos quando os outros dois distritos também lotassem. O problema é que eles também já ultrapassaram, faz tempo, o dobro de suas capacidades. Ninguém mais sabe dizer qual é o limite.
André declarou que a Polícia Civil tem um compromisso com a comunidade, e por isso continua recebendo presos muito além do número aceitável. ''Não posso fechar todas as carceragens e deixar os marginais nas ruas, ainda que a responsabilidade fosse do Departamento Penitenciário'', apontou.
Na CCL, a superlotação já está provocando atritos e tensão entre os presos. De acordo com o vice-diretor do presídio, major Raul Vidal, o motivo não é apenas o desconforto, mas um problema de alimentação. Ele explicou que a empresa fornecedora de comida entrega apenas 362 refeições por dia. A demanda excedente tem de ser suprida pela mesma empresa que fornece comida aos DPs. ''Um tipo de refeição é muito superior a outro, o que provoca sensação de discriminação e discórdia entre os presos.''
Antes da transferência de ontem, a CCL estava no limite de sua capacidade, que foi ''ampliada'' de 288 para até 432 vagas.
O vice-diretor informou que existem cerca de 55 detentos na CCL que já deviam estar cumprindo penas em penitenciárias de regime fechado ou semi-aberto. O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, declarou que já fez todos os acordos possíveis para tentar remediar a situação e que agora as soluções estão na mão do Estado.
O coordenador assistente do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), coronel Honório Olavo Bortolini, disse que o regime semi-aberto também vive em constante esgotamento, o que explicaria a permanência irregular dos presos condenados a esse tipo de pena em presídios como a CCL. Ele amenizou o problema da alimentação na CCL, alegando que há diferença nos cardápios mas não na qualidade. ''Os presos sempre reclamam da alimentação. Mas este problema está sendo resolvido pela própria administração'', declarou.

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