Pinhais - A superpopulação na cadeia pública da Delegacia de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, fez com que 74 presos iniciassem uma rebelião na carceragem com a captura de quatro adolescentes que ficaram como reféns durante quatro horas e meia. De acordo com o delegado Osmar Feijó, a rebelião começou por volta das 17h30 de anteontem. ''Havia realmente excesso de presos. O problema já é antigo. Eles quebraram as portas, pegaram presos como reféns e iniciaram o quebra-quebra para forçar a transferência para outras unidades. Não havia risco de fuga'', afirmou.
Ninguém ficou ferido. Os policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) fizeram as negociações com os presos e prometeram as transferências - realizadas todas ontem. A cadeia foi esvaziada e passará por reformas. Ela tem capacidade para 16 pessoas. Feijó negou que qualquer preso tivesse usado armas na rebelião. As únicas armas encontradas em poder dos presos eram confeccionadas com as grades arrancadas da cadeia. Está descartada a facilitação do motim por qualquer funcionário da delegacia.
Os adolescentes mantidos como reféns estavam num dos corredores - separados dos maiores por grades. Com eles, apenas presos de pequena periculosidade. ''Eles estavam separados, mas as grades foram todas quebradas o que fez com que os presos tivessem acesso aos corredores e aos menores'', explicou o delegado. Assim que foram apreendidos, os adolescentes foram levados até a delegacia, que informou ao Juizado a situação deles. ''Eles ficam aqui sempre até a liberação do Juizado para outra unidade. Ficam sob nossa custódia'', disse Feijó.
A permanência de adolescentes em cadeias públicas é irregular. Após serem apreendidos, os adolescentes teriam que ser encaminhados para abrigos, educandários ou liberados pela Justiça. ''Nós já denunciamos a situação das cadeias públicas da Região Metropolitana. A situação é caótica, é alarmante. Os presos não têm outra solução, senão essa de rebelião. E os adolescentes sempre acabam sofrendo com isso. Ou viram reféns ou podem ser vítimas de atentado violento ao pudor'', disse o advogado criminalista Dállio Zippin Filho, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).

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