Uma rebelião ontem no 11º Distrito Policial, em Curitiba, terminou com a transferência de 27 detentos e ferimentos generalizados em quatro presos que foram feitos reféns. O motim começou por volta das 5 horas. Os plantonistas chamaram reforço da Polícia Militar e conseguiram frustar uma tentativa de fuga em massa. Com 44 vagas, a cadeia abrigava 131 presos.
‘‘Eles planejavam render os plantonistas e fugir do distrito no momento da troca de turno. Quando perceberam que a fuga havia sido frustrada, eles tomaram outros presos como reféns e começaram a exigir uma negociação’’, explicou o superintendente João Chandoha.
Os quatro presos tomados como reféns foram amarrados nas celas e levaram diversas estocadas com pedaços de ferro. Eles ficaram em poder dos outros detentos por mais de seis horas. ‘‘Foram os piores momentos de minha vida. Eles me agrediram muito e diziam que iriam me matar. Cheguei a pensar que iria mesmo morrer’’, afirmou Albino Alves da Silva, 39 anos, preso por furto.
Os internos rebelados exigiam a transferência imediata de 28 detentos e queriam telefones celulares. Eles chamaram o delegado Fauze Salmen, titular do 1º Distrito Policial para intermediar a negociação. Salmen conseguiu transferir 27 presos. Deste total, 20 foram para o Centro de Observação e Triagem da Prisão Provisória de Curitiba, três para a Divisão de Narcóticos e outros três para o Centro de Triagem.
‘‘O momento agora é de desabafo. Estamos cansados desta mesma situação de falta de espaço, que está diretamente ligada ao crescimento do índice de criminalidade. Preso tem que ter dignidade. Chega disto. O governo precisa tomar uma atitude política e mudar rapidamente essa situação’’, declarou Salmen.
A solução, segundo Salmen, seria a construção de mini-presídios ou ‘cadeiões’ com capacidade para cerca de 300 presos. ‘‘A segurança é um dever de todos. A situação precisa ser repensada ou teremos rebeliões ainda mais sérias no Paranᒒ, alertou ele.
As nove celas da cadeia foram completamente destruídas. As grades que não foram serradas pelos presos, foram derrubadas. Os prejuízos ainda não foram avaliados pela Polícia Civil, mas existe a necessidade imediata de reforma da delegacia.
Alguns familiares de presos passaram o dia em frente ao distrito policial aguardando novidades. Andréa Menezes, mulher de um dos detentos, ficou abalada ao saber sobre o marido. ‘‘Não vou sair daqui da frente enquanto não falar com ele’’, disse nervosa. Ela estava com sua filha, de seis meses, nos braços.
Como medida de segurança, o delegado Hertel Rehbein, titular do 11º DP, está pedindo a remoção dos presos para a reforma.
Numa vistoria feita após a rebelião, foram encontrados 150 estoques. Os presos também tinham iniciado a abertura de um túnel em uma das celas. Os presos feridos foram encaminhados aos Complexo Médico Penal.

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