Presos são removidos, mas celas continuam lotadas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Cerca de 40 policiais civis e militares acompanharam a remoção, ontem de manhã, de 70 presos do 2º Distrito Policial e da Casa de Custódia de Londrina (CCL). Os detentos todos já condenados pela Justiça foram levados para a Casa de Custódia de Curitiba (CCC) e Penitenciária Estadual de Ponta Grossa. À tarde, mais 55 homens foram transferidos do 2º DP para a CCL.
Apesar dos remanejamentos, as celas do 2º DP e da CCL continuam lotadas. O distrito, que tem capacidade para 68 encarcerados, ficou com 130. Já a CCL tem agora 422 presos, dez abaixo do limite autorizado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. A capacidade real, no entanto, é de apenas 288 detentos.
Como está abaixo do limite, a CCL possui uma reserva técnica para as eventuais prisões realizadas a cada dia pelas polícias na cidade. Somente ontem, cinco homens foram detidos e também encaminhados para a Casa de Custódia.
De acordo com o delegado-chefe do Centro de Triagem da Polícia Civil e responsável pela operação realizada na manhã de ontem, Clóvis Galvão, novas transferências devem ocorrer em breve. A operação começou às 7h30 no 2º DP (zona leste), de onde saíram 15 presos. As ruas próximas à delegacia foram bloqueadas por cinco viaturas da Rone e do Cope (grupos especiais PM) e por dezenas de soldados armados com escopetas e metralhadoras.
Os detentos seguiram em um ônibus (cedido pelo Corpo de Bombeiros) direto para a CCL (zona sul), de onde saíram outros 20 condenados. O restante foi levado em um caminhão-prisão (adaptado para manter 30 pessoas) e em uma van (cinco presos), ambos veículos do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen). ''O ônibus segue direto para Ponta Grossa, enquanto os outros dois veículos menores irão para Curitiba. Não posso precisar datas quanto às futuras transferências, mas pretendemos sanar o problema (de superlotação) o mais rápido possível'', disse Galvão.
As remoções foram agilizadas depois que o secretário do Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, vistoriou pessoalmente as duas carceragens. Delazari esteve em Londrina anteontem e ratificou a necessidade de uma ''reforma emergencial'' nas celas do distrito policial. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, disse ontem que já estava levantando orçamentos para calcular os custos das obras. ''Vamos convocar empresários e fazer uma tomada de preços. Se o valor não ultrapassar R$ 8 mil, podemos fazer as reformas se abrir licitação e recolocar os presos rapidamente'', explicou André.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) e responsável pela interdição do 2º DP, Roberto do Vale, afirmou que as reformas serão iniciadas somente se a lotação diminuir para 40% do índice atual. ''Tem que baixar para pelo menos 50 presos, para que eles possam ficar em uma ala enquanto a outra passa por obras e vice-versa'', explicou. Na sua opinião, as obras deveriam começar pelo 4º DP, que abriga mulhares. ''Seria mais fácil começar pelo 4º DP, que também precisa de reformas'', afirmou Vale.
Até semana que vem, a VEP deve solicitar à Secretaria outras 34 vagas para presos de Londrina e região. ''Temos 18 presos na PEL (Penitenciária Estadual de Londrina) que devem ir para Ponta Grossa e Curitiba. Estamos preparando a documentação para outros 16 que devem ser levados para a Colônia Penal Agrícola de Curitiba'', explicou o juiz. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


