Presos são removidos da Delegacia de Paranaguá
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sábado, 20 de outubro de 2007
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Trinta presos da Delegacia de Paranaguá, no Litoral do Estado, a maioria já condenada pela Justiça, foram transferidos, na manhã de ontem, para o Centro de Triagem 2, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. No final de semana passado, houve dois princípios de rebelião, quando além da superlotação, os presos enfrentaram falta de água - fatos que motivaram as transferências. A carceragem abrigava 206 detentos e dez deles já haviam sido transferidos no início da semana.
Representantes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Seção Paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) visitaram, ontem, a Delegacia de Paranaguá e puderam constatar um problema que é recorrente naquela unidade. ''Os presos vivem em condições desumanas, cruéis. Eles estão sendo submetidos a uma verdadeira tortura pela forma em que se encontram confinados'', declarou Isabel Mendes, da comissão da OAB-PR.
As condições insalubres e a superlotação embasaram a determinação judicial de interdição da carceragem, em maio de 2005, a partir de ação proposta pelo Ministério Público (MP) estadual. Meses depois, a decisão liminar, que proibia a admissão de novos presos, foi suspensa, mas a ação ainda aguarda o julgamento do mérito.
Isabel disse que o relatório da visita será entregue, na segunda-feira, ao presidente da OAB-PR, que deverá encaminhá-lo às autoridades competentes e cobrar soluções.
De acordo com o delegado de Paranaguá, Valmir Soccio, está sendo estudada a possibilidade de alugar um outro imóvel para onde seria transferida a parte administrativa da delegacia. Com isso, haveria mais espaço para acomodar os presos. A proposta, segundo ele, será levada ao secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
Outra solução, de médio e longo prazo, seria a construção de um presídio para atender a demanda do Litoral, o que já foi considerado pelo governo do Estado. A Prefeitura de Paranaguá chegou a desapropriar um terreno para construir a unidade, mas o projeto não saiu do papel. A Folha fez contato com a Secretaria de Estado da Justiça para saber do andamento dessa proposta, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.


