Presos são recuperados pela religião
A doutrinação religiosa tem sido a arma para que a Polícia Civil estabeleça a paz nas delegacias de Curitiba. Desde fevereiro deste ano, a Divisão da Capital vem ampliando os convênios com igrejas e entidades religiosas para prestar assistência social e espiritual nos 13 distritos policiais da cidade. E o resultado tem sido positivo. De acordo com dados da Divisão da Capital, houve diminuição de rebeliões e protestos por parte dos detentos.
Durante este ano foi registrada apenas uma rebelião, ocorrida no 7º Distrito Policial. No mesmo período do ano passado, este número era maior, com seis revoltas em delegacias. Este quadro é fruto do trabalho dos religiosos, que conseguem proporcionar um alívio aos presos, avalia o delegado chefe da divisional, Clóvis Galvão. Ele afirma que as delegacias seriam suficientes para abrigar 150 presos, mas, por falta de vagas nos presídios, hoje 450 pessoas se amontoam nos distritos da capital. Detentos nessas condições não podem ser recuperadas, diz.
O delegado conta que um dos fatores que motivou o fim da única rebelião deste ano foi a promessa de que os religiosos passariam a realizar serviços sociais. Com a intermediação das igrejas católica, protestante e evangélica, foi possível descobrir o que os presos queriam, diz.
Galvão afirma que este é o ponto principal do trabalho de pastores, padres e freis: tornar-se a ponte entre detentos e a instituição policial. Eles conseguem obter informações dos presos, que nós policiais não teremos, diz. Em uma pesquisa feita pela Comissão Pastoral Carcerária nas delegacias, foi registrado que a principal queixa dos presos era a necessidade de assistência jurídica, além da reaproximação da família.
Com base neste levantamento, foi desenvolvido um convênio para retirar da cadeia os presos que já têm penas encerradas, diz Galvão. O delegado conta que este trabalho, que faz parte do Projeto Cidadania, iniciou pelo 7º Distrito Policial, na Vila Hauer, onde houve a rebelião.
O delegado informa que o trabalho de fé nas delegacias é antigo, mas até o começo do ano era limitado. A intenção, segundo Galvão, é seguir o mesmo modelo utilizado nas cadeias, onde as instituições religiosas tentam recuperar pequenos grupos. No 8º distrito policial, no Portão, a Polícia Civil aponta que de cada dez presos que saem, três são recuperados, dedicando-se a religião.
Atualmente, participam do convênio as igrejas Católica, Universal do Reino de Deus, Assembléia de Deus e outras religiões de menor estrutura. A Divisão da Capital quer que outras entidades religiosas participem da humanização dessa gente, juntamente com a própria sociedade, diz.





